Mulheres cuidam da saúde da família, mas esquecem vacinas
A carga mental do cuidado faz com que mulheres gerenciem a vacinação dos filhos, mas deixem a própria imunização de lado
- Publicado: 29/06/2026 20:02
- Alterado: 29/06/2026 20:02
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
As mulheres brasileiras são as principais responsáveis pela gestão da saúde e do bem-estar familiar, mas frequentemente deixam a própria imunização em segundo plano. O comportamento reflete a desigualdade na divisão das tarefas de cuidado no país, realidade que sobrecarrega o público feminino com a chamada “carga mental” do planejamento doméstico.
De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do IBGE, 91% das mulheres realizam atividades de cuidado e afazeres de casa, contra 79,2% dos homens. Em termos de tempo, elas dedicam, em média, 21,3 horas semanais a essas funções, quase o dobro das 11,7 horas registradas pelos homens.
A lacuna na imunização de adultos

Ao contrário da vacinação infantil, que conta com o monitoramento ativo de pediatras e escolas, a atualização da carteira vacinal do adulto depende estritamente da iniciativa individual. Por ser uma medida preventiva e sem sintomas imediatos, o cuidado acaba sendo adiado por anos.
“Historicamente, as mulheres assumem o papel de gestoras da saúde da família. Elas acompanham consultas, exames, vacinas e tratamentos dos filhos e parceiros. O problema é que a própria saúde acaba ficando para depois”, explica a Dra. Maria Isabel de Moraes-Pinto, infectologista e coordenadora de vacinas na Dasa.
Imunizantes negligenciados na fase adulta
Cientistas e entidades médicas alertam para o risco de as mulheres deixarem de tomar três vacinas fundamentais ao longo da vida:
- HPV: Recomendada pela Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) para adultos até os 45 anos, a vacina previne contra o vírus associado a diversos tipos de câncer, como o de colo do útero, vulva e vagina;
- Dupla Adulto (dT): Garante proteção contra o tétano e a difteria. O Ministério da Saúde determina que o reforço deve ser reaplicado a cada dez anos durante toda a vida adulta;
- Herpes Zóster: Indicada para pessoas a partir dos 50 anos, protege contra a reativação do vírus da catapora, infecção que provoca lesões dolorosas na pele e pode gerar dores crônicas por meses.
Especialistas apontam que o período de transição escolar e reorganização de rotina no meio do ano é o momento ideal para que as mães incluam seus próprios exames e vacinas no planejamento familiar. Para facilitar o acesso de quem enfrenta jornadas duplas, redes de laboratórios privados têm expandido serviços de atendimento domiciliar e lançado campanhas de desconto voltadas ao público adulto.