MP-SP pede condenação de Cariani por tráfico de drogas

MP-SP pede condenação de Renato Cariani por tráfico, associação criminosa e lavagem de dinheiro; Justiça ainda deverá analisar os pedidos da promotoria

MP-SP pede condenação de Cariani por tráfico de drogas

Crédito: Reprodução/Redes Sociais

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a condenação do empresário e influenciador Renato Cariani por associação para o tráfico de drogas, tráfico de matéria-prima destinada à fabricação de entorpecentes e lavagem de dinheiro. O pedido foi apresentado na quarta-feira (21), nas alegações finais do processo. Cariani responde à ação em liberdade.

A promotoria também solicitou a condenação de Fábio Spindola Mota e Rodrigo Gomes Pereira pelos mesmos crimes. Por outro lado, o órgão pediu a absolvição de Roseli Dorth, sócia de Cariani na empresa Anidrol Produtos para Laboratórios, e de Andréia Domingues Ferreira.

As alegações finais representam a última manifestação do Ministério Público antes da decisão da Justiça. A partir dos pedidos apresentados pelas partes, caberá ao Judiciário analisar o processo e proferir a sentença.

Penas podem ultrapassar 50 anos

De acordo com os cálculos apresentados no processo, as penas individuais podem variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de prisão em regime fechado, além da aplicação de multas.

O material apresentado, porém, não detalha a composição dos cálculos das penas. No Brasil, o limite máximo de cumprimento de pena privativa de liberdade é de 40 anos, mesmo quando a soma das condenações ultrapassa esse período.

Investigação aponta desvios de produtos químicos

Cariani se tornou réu em fevereiro de 2024, após ser indiciado pela Polícia Federal em dezembro de 2023, no âmbito da Operação Hinsberg. A investigação apurou suspeitas de fraudes na comercialização de insumos químicos da Anidrol, empresa sediada em Diadema, que, segundo a acusação, teriam sido destinados ao refino de crack e cocaína.

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a empresa teria simulado 59 vendas para companhias que não haviam feito pedidos dos produtos. A suspeita é de que solicitações fictícias fossem utilizadas para justificar a retirada dos materiais químicos.

Divulgação

As apurações tiveram início em 2019, depois que a farmacêutica AstraZeneca comunicou a emissão de notas fiscais que não reconhecia, referentes a operações de 2017.

Segundo a investigação, Fábio Spindola teria criado um endereço de e-mail falso em nome de um funcionário da farmacêutica, intermediado entregas destinadas ao narcotráfico e realizado depósitos em dinheiro na conta da Anidrol.

Rodrigo Pereira, por sua vez, é apontado pela acusação como responsável por administrar a movimentação financeira ilícita, com o objetivo de dar aparência legal aos valores.

Mensagens de Cariani também foram analisadas

O processo inclui conversas telefônicas que, segundo a investigação, indicariam proximidade entre Cariani e o policial civil Anadré Dziuba. Os diálogos envolveriam o compartilhamento de informações sobre diligências policiais e sugestões de empresas concorrentes para fiscalização.

Em uma conversa de abril de 2019 anexada aos autos, Cariani teria respondido que uma substância mencionada no diálogo era “utilizada para aumentar o rendimento da cocaína”.

Cariani tem 50 anos e reúne mais de 11 milhões de seguidores no Instagram e cerca de 8 milhões de inscritos no YouTube. A decisão sobre os pedidos de condenação e absolvição caberá à Justiça.

Carlos Enriki

  • Publicado: 30/10/2026 12:32
  • Alterado: 30/10/2026 12:32
  • Autor: Carlos Enriki