MP de SP denuncia Deolane Bezerra por lavagem para o PCC
Gaeco acusa Deolane de operar como 'caixa' da facção; Justiça negou pedidos de prisão domiciliar e transferência
- Publicado: 10/06/2026 22:42
- Alterado: 10/06/2026 22:42
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: ABC do ABC
O Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente, denunciou formalmente à Justiça a influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra Santos. No documento apresentado nesta quarta-feira (10), no âmbito da Operação Vérnix, o promotor Lincoln Gakiya e outros seis procuradores acusam Deolane de integrar uma organização criminosa e atuar como “caixa” para lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC).
A denúncia aponta que Deolane e outras em cinco pessoas, incluindo Marco Willian Herbas Camacho (o Marcola), seu irmão Alejandro e dois sobrinhos do líder da facção, operavam uma complexa rede de ocultação de patrimônio por meio de uma empresa de transportes de fachada sediada em Presidente Venceslau (SP).
Movimentações Milionárias e Empresas Fantasmas

Investigações conjuntas do Ministério Público e da Polícia Civil apontam que o grupo promovia a reestruturação constante de pessoas jurídicas e fazia uso de criptoativos para circular fundos. Entre os anos de 2018 e 2022, relatórios financeiros identificaram que R$ 13,6 milhões transitaram pelas contas pessoais de Deolane, além de outros R$ 14 milhões movimentados por três empresas em seu nome.
A acusação detalha que ordens da cúpula do PCC direcionavam repasses financeiros de origem espúria para contas de Deolane e dos sobrinhos de Marcola. Posteriormente, o dinheiro era reinserido na economia formal com aparência de legalidade. A polícia localizou ainda empresas de fachada associadas à advogada em municípios do interior paulista, cujos endereços eram compartilhados por dezenas de firmas de fachada.
Ao todo, o Ministério Público denunciou seis pessoas: Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, Deolane Bezerra Santos, Everton de Souza, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, Marco Willian Herbas Camacho (Marcola) e Paloma Sanches Herbas Camacho.
Justiça Mantém Prisão e Recusa Celas Especiais
Custodiada preventivamente desde o dia 21 de maio de 2026, Deolane Bezerra sofreu duas duras derrotas nos tribunais nesta semana:
- Negativa de Transferência: A defesa requereu a remoção da influenciadora para uma Sala de Estado-Maior prerrogativa da advocacia prevista na OAB, alegando insalubridade, calor excessivo, restrições médicas devido a crises de pânico, e até mesmo a presença de escorpiões no Complexo Penal Feminino de Tupi Paulista. No entanto, o juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, barrou o pedido baseando-se em laudos da penitenciária que atestam que Deolane ocupa uma cela individual isolada no Pavilhão Especial, equipada com banheiro privativo, chuveiro elétrico, ventilador e televisão, preenchendo os requisitos legais de custódia.
- Prisão Domiciliar Rejeitada: A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) também recusou o pedido de prisão domiciliar. O ministro relator Ribeiro Dantas enfatizou que a maternidade de uma criança menor de 12 anos (Deolane é mãe de uma menina de 10 anos) não garante o direito automático de responder ao processo em casa quando há fortes indícios de atuação contínua em crime organizado.
O Histórico de Investigações da Influenciadora
A denúncia do Gaeco em 2026 incorpora um extenso histórico de investigações policiais envolvendo o nome da advogada nos últimos anos. Em julho de 2022, ela foi alvo de busca e apreensão por suspeita de lavagem em lavagem de dinheiro ligada a apostas esportivas, tendo carros de luxo apreendidos em sua mansão.
Em fevereiro de 2024, virou alvo de inquérito no Rio de Janeiro após publicar imagens usando o colar de ouro do chefe do tráfico do Complexo da Maré. Meses depois, em setembro de 2024, foi presa na Operação Integration, em Pernambuco, esquema que apurava a movimentação ilegal de R$ 2 bilhões e que acabou remetido à Polícia Federal em 2026. Já em abril de 2026, entrou na mira da PF na Operação Narco Fluxo por suspeita de utilizar suas contas bancárias como “contas de passagem” para ocultar capital do tráfico internacional de drogas.
Contraponto das Defesas
- Defesa de Deolane Bezerra: Os advogados liderados por Aury Lopes Jr. alegaram no STJ que a cliente é vítima de uma “prisão midiática” feita para humilhá-la, visto que os autos fiscais já estão assegurados. Em nota oficial, a defesa declarou que ainda não teve acesso aos termos da nova denúncia do MPSP, mas reiterou enfaticamente que Deolane é inocente, não integra organizações criminosas e que seus rendimentos são declarados e justificados.
- Defesa da Família Herbas Camacho: O advogado Bruno Ferullo contestou as acusações argumentando que Marcola e Alejandro estão isolados em presídios federais de segurança máxima desde 2019, o que inviabilizaria qualquer liderança financeira externa. Sobre os sobrinhos denunciados, a defesa afirmou que o MPSP confunde vínculos de consanguinidade com participação delitiva e garantiu a procedência lícita dos patrimônios familiares.