Morte em salto reacende debate sobre fiscalização do Rope Jump no Brasil
Após acidente que matou jovem em Limeira, Fhoresp cobra regras mais rígidas, fiscalização permanente e maior controle sobre esportes radicais
- Publicado: 24/06/2026 14:20
- Alterado: 24/06/2026 14:20
- Autor: Edvaldo Barone
- Fonte: Fhoresp
A morte da estudante Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, durante um salto de Rope Jump em Limeira, no interior de São Paulo, abriu uma discussão que vai além das circunstâncias do acidente. O episódio levou a Federação de Hotéis, Restaurantes e Bares do Estado de São Paulo (Fhoresp) a cobrar respostas do poder público sobre a fiscalização das atividades de aventura e a defender a criação de mecanismos mais rigorosos de controle para operações de alto risco realizadas em todo o país.
A entidade protocolou ofícios junto ao Ministério do Turismo e à Secretaria de Estado de Turismo e Viagens de São Paulo pedindo esclarecimentos sobre licenciamento, emissão de autorizações, monitoramento e fiscalização de modalidades como o Rope Jump, prática que vem ganhando popularidade nos últimos anos e que consiste em saltos realizados de pontes ou estruturas elevadas por meio de sistemas de cordas e ancoragem.
Maria Eduarda, formada em Educação Física e moradora de Jandira, morreu no último dia 13 após ser lançada de uma ponte de aproximadamente 40 metros de altura sem o acionamento adequado do equipamento de segurança. O acidente ocorreu em um local conhecido como Ponte do Esqueleto, estrutura de uma antiga obra ferroviária inacabada. Até o momento, seis pessoas foram presas, entre instrutores e integrantes da equipe responsável pela realização do Rope Jump.
Expansão do turismo de aventura aumenta pressão por regulamentação

Para a Fhoresp, a tragédia evidencia a necessidade de ampliar a fiscalização sobre atividades de aventura que, nos últimos anos, passaram a movimentar milhares de turistas em diferentes regiões do Brasil. O crescimento do setor, porém, segundo a entidade, precisa vir acompanhado de protocolos claros de segurança, formação adequada dos profissionais e fiscalização constante.
O diretor-executivo da Federação, Edson Pinto, afirma que “o turismo de aventura tem potencial para a geração de empregos e de renda, além de ser sinônimo de desenvolvimento regional, uma vez que um dos pontos fortes das cidades do interior no setor turístico é justamente o oferecimento de atividades radicais. No entanto, operações de risco exigem regras claras, fiscalização ferrenha, especialização e mecanismos capazes de garantir segurança aos consumidores e aos instrutores, que precisam, por óbvio, atuar dentro da legalidade”.
A discussão ganhou força porque modalidades como o Rope Jump passaram a ocupar espaço crescente dentro do turismo de experiência, atraindo praticantes em busca de adrenalina e novas vivências. O avanço da atividade, entretanto, levanta questionamentos sobre a existência de padrões nacionais de segurança e sobre a capacidade dos órgãos públicos de acompanhar esse crescimento.
Segundo levantamento do Ministério do Turismo, atividades de lazer ao ar livre estão entre as preferidas de 13% dos brasileiros, percentual que chega a 22% entre jovens de 16 a 24 anos. Já dados da Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura apontam que o segmento já representa cerca de 6% do mercado turístico nacional.
Fhoresp pede criação de cadastro nacional e plano de segurança

Nos documentos encaminhados às autoridades, a Fhoresp solicita informações sobre quais órgãos são responsáveis pela fiscalização das atividades, quantos operadores estão atualmente autorizados a atuar em São Paulo e no Brasil e se existe algum sistema oficial para acompanhamento e investigação de acidentes relacionados ao Rope Jump e a outras modalidades de aventura.
A Federação também defende a criação de um Cadastro Nacional de Operadores, a implantação de certificações específicas para empresas e instrutores e a realização periódica de inspeções em equipamentos utilizados nas atividades. Para a entidade, a transparência das informações oferecidas aos consumidores também deve ser ampliada, permitindo que turistas tenham acesso facilitado às condições de segurança das operações.
Edson Pinto destaca ainda a necessidade de construir uma política nacional voltada ao setor. Segundo ele, “a proteção da vida deve ser prioridade absoluta. O fortalecimento da fiscalização, da exigência da qualificação profissional e da informação ao consumidor e ao turista, entre outras medidas, pode contribuir para reduzir riscos e preservar a credibilidade de um segmento importante para o País, que é o Turismo”.
A proposta inclui a criação de um Plano Nacional de Segurança para o Turismo de Aventura, reunindo poder público, especialistas e representantes do setor. A avaliação da entidade é de que a expansão do Rope Jump e de outras atividades radicais exige uma estrutura de fiscalização capaz de acompanhar a evolução do mercado e impedir que tragédias semelhantes voltem a ocorrer.