Morte de bebê em creche no Brás leva à demissão de funcionárias
Polícia analisa imagens da creche, prepara novos depoimentos e investiga circunstâncias da morte de Abdoulaye, de 1 ano e 4 meses
- Publicado: 28/07/2026 12:25
- Alterado: 28/07/2026 12:41
- Autor: Edvaldo Barone
A investigação sobre a morte do bebê Abdoulaye Dieng, de 1 ano e 4 meses, na Creche Luz do Brás, na região central de São Paulo, ganhou novos desdobramentos. A Secretaria Municipal da Educação informou que duas profissionais da unidade foram desligadas, enquanto a Polícia Civil analisa imagens das câmeras de segurança e prepara uma nova rodada de depoimentos para esclarecer as circunstâncias do caso.
O bebê morreu na última quarta-feira (22), após prender a cabeça no vão entre uma barra de ferro e um espelho instalado em uma das salas da creche. Segundo a investigação, ele permaneceu preso por cerca de seis minutos até que as monitoras retornassem ao ambiente. O caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e é investigado pelo 8º Distrito Policial, no Brás.
Investigação reúne imagens e novos depoimentos

A Secretaria Municipal da Educação informou que a sala onde ocorreu o acidente permanece interditada desde o dia 24 de julho e passa por análise técnica. Paralelamente, um procedimento administrativo foi instaurado para apurar eventuais irregularidades. De acordo com a pasta, caso sejam constatadas falhas, poderão ser adotadas medidas como o descredenciamento da organização responsável pela administração da unidade.
A Polícia Civil já recebeu aproximadamente quatro horas de gravações das câmeras de segurança da creche e iniciou a análise do material. As imagens servirão de base para novos depoimentos previstos para esta semana, com a expectativa de que o inquérito seja concluído em menos de 30 dias.
Na quinta-feira (23), os investigadores requisitaram as gravações após uma denúncia apontar que, no momento do acidente, funcionários estariam participando de uma comemoração de aniversário, deixando as crianças sem supervisão. Cinco pessoas já foram ouvidas, incluindo duas funcionárias da creche. Os primeiros relatos indicam que a confraternização teria ocorrido antes do acidente, mas a confirmação da dinâmica dos fatos dependerá da análise das imagens.
Protesto reúne familiares e pais de alunos
Na tarde de segunda-feira (27), familiares do bebê, amigos e integrantes da comunidade realizaram um protesto em frente à creche para cobrar esclarecimentos e responsabilização pelo caso. Com cartazes, faixas e camisetas, os participantes pediram justiça e questionaram a forma como a família foi comunicada sobre a morte da criança.
Mariama Bintu Bah, integrante do Conselho Municipal de Imigrantes, afirmou que o grupo busca responsabilização pelo que classificou como abandono de incapaz. “O nosso pedido hoje é pedido justiça, é de responsabilização, de um abandono de uma criança incapaz. A criança foi deixada durante seis minutos e ele agonizou até morrer.”
Durante a manifestação, representantes da família também criticaram o fato de a comunicação da morte ter sido feita por mensagem de texto. Segundo eles, a dificuldade com o idioma agravou ainda mais o sofrimento dos pais, imigrantes senegaleses que vivem no Brasil.
Pais de outros bebês matriculadas na unidade também participaram do ato e relataram preocupação com a estrutura da creche. Eles afirmam que já haviam procurado a direção para reclamar da falta de profissionais e do número reduzido de funcionários para atender as turmas.
A vendedora ambulante Lhayss Rodrigues de Sousa, mãe de uma aluna e tia de outra criança atendida na unidade, relatou que uma professora chegou a permanecer sozinha com até 15 crianças devido ao afastamento de uma colega. Ela também criticou a continuidade das atividades na sala onde ocorreu o acidente, apesar da informação da Prefeitura de que o espaço permanece interditado para análise técnica.
Família do bebê cobra respostas
O pai do bebê, o vendedor senegalês Ibrahima Dieng, contou que deixou o filho na creche por volta das 7h30 e recebeu uma ligação aproximadamente uma hora e meia depois informando que havia ocorrido um acidente. Ao chegar à unidade, foi comunicado de que a criança havia morrido.
Segundo ele, a mãe do bebê Abdoulaye passou mal ao receber a notícia e a família enfrenta um momento de profunda dor diante da perda. Enquanto o inquérito prossegue, a Secretaria Municipal da Educação informou que uma equipe do Núcleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem acompanha a família desde as primeiras horas após o acidente, além de prestar atendimento psicológico e assistência social aos familiares, funcionários e demais crianças da unidade.