Mongaguá mapeia árvores de risco após vendaval
Ventos fortes expõem riscos do ficus e prefeitura de Mongaguá intensifica mapeamento de árvores para proteger a população local
- Publicado: 22/08/2026 11:41
- Alterado: 22/08/2026 11:41
- Autor: Gabriel de Jesus
A cidade de Mongaguá iniciou um mapeamento de vegetações que apresentam risco à população após registrar a queda de 48 árvores provocada por um forte vendaval no fim de julho. A força dos ventos, que atingiram 90 km/h, reacendeu o debate sobre o planejamento da arborização urbana. Do total de exemplares derrubados, 32 pertenciam à espécie Ficus benjamina, popularmente conhecida como ficus, muito utilizada no passado em calçadas residenciais.
O cenário observado em Mongaguá reflete um gargalo histórico de infraestrutura nas cidades da região. A escolha do ficus para locais estreitos gera conflitos graves entre o crescimento vegetal e as estruturas urbanas. Estudos publicados na Revista da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana mostram que árvores podadas da espécie ficavam, em média, em calçadas de apenas 2,87 metros de largura, enquanto exemplares sem cortes cresciam em locais com cerca de 12,94 metros. O manejo inadequado favorece lesões nos troncos, cupins, galhos secos e raízes expostas, enfraquecendo a estrutura biológica vegetal.
Desafios do plantio urbano e fiscalização em Mongaguá
A combinação de raízes estranguladas com podas severas reduz a estabilidade física da planta diante de eventos climáticos extremos. Segundo a administração de Mongaguá, o crescimento desordenado de espécies inadequadas amplia o impacto de tempestades sobre o patrimônio público e privado.
“O Ficus benjamina foi muito utilizado na arborização residencial no passado, principalmente por seu crescimento rápido e pela formação de uma copa ampla. Hoje, sabemos que a escolha da espécie precisa levar em conta as características e o espaço disponível. Em áreas com pouco espaço ou próximas a redes e estruturas, existem espécies mais adequadas. Nosso trabalho é orientar o morador e incentivar o plantio de espécies nativas”, explica o secretário de Agricultura e Meio Ambiente de Mongaguá, Alexandre Barril.
Ação preventiva e responsabilidade dos moradores
Diante dos impactos causados pelas rajadas de vento, a Defesa Civil de Mongaguá passou a atuar preventivamente para mapear espécimes comprometidos. A medida busca identificar pontos vulneráveis na malha urbana antes do período de chuvas intensas.
“Uma árvore de grande porte em um espaço que não comporta seu desenvolvimento pode trazer riscos para além da própria estrutura. Em uma situação de ventos fortes, a queda pode atingir a rede elétrica e de telecomunicações, bloquear vias, danificar imóveis e veículos e até ferir pessoas. O mapeamento e a orientação aos moradores em Mongaguá ajudam a identificar situações que precisam de atenção e a reduzir prejuízos”, afirma o gestor da Defesa Civil de Mongaguá, Argeo Rodrigues.
Conforme as diretrizes municipais de Mongaguá, a manutenção de árvores localizadas em calçadas em frente aos imóveis ou em áreas particulares é de responsabilidade do próprio morador. Contudo, em cenários de risco iminente, a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente pode intervir após vistoria técnica. Para evitar novos problemas, a prefeitura disponibiliza gratuitamente mudas de espécies nativas compatíveis com a infraestrutura da cidade, como ipê-amarelo, ingá, goiabeira, quaresmeira, pitangueira e araçá. As orientações e solicitações podem ser feitas pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (13) 3448-4630.