Metrô de SP aposenta bilhete magnético após 52 anos

Com mais de 13,7 bilhões de usos desde 1974, bilhete magnético do Metrô de SP deixa de circular em novembro

Metrô de SP aposenta bilhete magnético após 52 anos

Crédito: Divulgação/Governo de SP

Após 52 anos de circulação, o tradicional bilhete magnético de papel-cartão do metrô paulistano, conhecido tecnicamente como cartão Edmondson, deixará definitivamente de ser aceito nas catracas da Companhia do Metropolitano de São Paulo (Metrô) a partir de novembro de 2026. O encerramento do modelo encerra uma transição iniciada com a implantação das passagens por código QR e tecnologias digitais de aproximação.

A companhia estipulou internamente em julho de 2026 um prazo limite de 90 dias, que vence em 31 de outubro de 2026, para que os passageiros utilizem os bilhetes remanescentes no sistema.

Cronograma de Transição e Troca até 2027

Os usuários que ainda possuírem unidades do bilhete magnético após o dia 31 de outubro não poderão mais utilizá-los diretamente nas catracas. No entanto, a concessionária estatal garantiu que haverá um período para a substituição dos bilhetes:

  • Prazo para Uso nas Catracas: Até 31 de outubro de 2026;
  • Período de Troca Exclusiva: De novembro de 2026 até janeiro de 2027, em postos de atendimento específicos a serem definidos pela companhia;
  • Destino do Material: As passagens recolhidas são encaminhadas para trituração e reciclagem no Pátio de Manutenção de Itaquera (PIT), na Zona Leste de São Paulo.

Lote Encontrado em 2025 e Reciclagem em Itaquera

Estação República Metrô
Divulgação

Embora a fabricação dos cartões tenha sido suspensa em 2021, o modelo voltou a circular temporariamente após funcionários do Metrô localizarem, em março de 2025, um estoque remanescente com 8 milhões de unidades armazenado em cofre.

Do lote colocado à venda, cerca de 6,5 milhões de unidades foram utilizadas até o meio do ano, enquanto aproximadamente 1,5 milhão de bilhetes permaneceram com usuários ou colecionadores. No Pátio de Itaquera, o processo de descarte já resultou na fragmentação de toneladas de papel para reciclagem.

O coordenador de Arrecadação e Comercialização do Metrô, Anísio Oliveira Silva funcionário há 44 anos na companhia, ressaltou a preservação histórica das peças:

“Isso aqui é um passo a passo da vida do metrô”, afirma o coordenador, responsável por catalogar em pastas todos os modelos produzidos desde 1974.

Mais de 13,7 Bilhões de Passagens em Cinco Décadas

Desde a inauguração da operação comercial da Linha 1-Azul em setembro de 1974, o sistema contabilizou a passagem de 13.759.071.500 bilhetes Edmondson pelas catracas. Enfileirados, os cartões de 6,5 cm por 3 cm somariam quase 900 mil quilômetros de extensão, quantidade suficiente para dar cerca de 22 voltas ao redor do planeta Terra.

O diretor de Operações do Metrô de São Paulo, Fábio Siqueira Neto, destaca a evolução logística do sistema:

“Os bilhetes foram como eu entendi que conseguiria guardar a cronologia do metrô”, relembrou o executivo, que guarda edições históricas em acervo pessoal.

A tecnologia, importada da França na década de 1970 e posteriormente produzida pela Casa da Moeda e fornecedores internacionais, dá espaço definitivo ao pagamento por aplicativo, cartão de débito/crédito, carteiras digitais e QR Code na rede metroviária paulistana.

Daniela Ferreira

  • Publicado: 30/08/2026 10:37
  • Alterado: 30/08/2026 10:37
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Folhapress