Merck debate testes rígidos contra contaminação de remédios

Evento da Merck discute como novas regras internacionais exigem barreiras rígidas contra germes nas fábricas da América Latina

Merck debate testes rígidos contra contaminação de remédios

Crédito: Depositphotos

O encerramento da 7ª edição do Merck Regulatory Summit LATAM, realizada hoje, quarta-feira (17), trouxe um debate crucial para o futuro da indústria farmacêutica na América Latina: a implementação do Anexo 1, uma rigorosa diretriz internacional voltada para a fabricação de produtos estéreis (como vacinas, injetáveis e colírios) que não podem ter nenhum tipo de bactéria ou impureza.

O painel, moderado por Jorge Estrada (Merck), contou com a participação do consultor sênior Enrique Vargas Pérez e do engenheiro químico Ernesto Martínez (Merck). Eles apontaram que a adoção dessa norma deixou de ser apenas uma escolha das empresas e se tornou uma necessidade estratégica para que os países latino-americanos continuem exportando remédios com segurança.

A Mudança: Prevenir em Vez de Apenas Testar

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Divulgação/Governo de SP

Historicamente, os laboratórios da região consideravam um lote de remédios seguro se o teste final de esterilidade desse negativo. Segundo o Dr. Enrique Vargas, o Anexo 1 quebra completamente esse modelo antigo.

“Não basta apenas fazer os testes no produto acabado e comemorar o resultado negativo. A nova regra exige uma Estratégia de Controle de Contaminação (CCS) que analisa todo o processo de forma holística ou seja, do início ao fim, desde a compra da matéria-prima até a entrega na farmácia”, explicou Vargas.

O objetivo principal é identificar pontos críticos de risco e criar barreiras de engenharia para evitar que a contaminação aconteça na origem, protegendo os pacientes de forma inédita contra microrganismos invisíveis, toxinas e partículas.

Por que a América Latina Precisa Seguir Essa Regra?

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Divulgação

Países como Brasil, México, Colômbia e Argentina têm uma capacidade gigantesca de produção. Alinhar as fábricas locais ao Anexo 1 traz vantagens comerciais diretas:

  • Fim das barreiras para exportação: Como as principais agências de saúde da região (como a Anvisa no Brasil e a Cofepris no México) seguem padrões internacionais, falar a mesma “língua técnica” facilita a venda de remédios complexos (como tratamentos contra o câncer) para o mundo.
  • Menos burocracia: Evita que as indústrias nacionais passem por auditorias internacionais duplicadas e desgastantes.
  • Garantia de abastecimento: Fábricas bem protegidas evitam contaminações repetidas que causam a paralisação de linhas de produção e a falta de remédios essenciais no mercado.

O Fator Humano e as Novas Tecnologias

Os especialistas lembraram que os operadores humanos são a maior fonte de contaminação dentro de uma área limpa de medicamentos. Por isso, o futuro dos processos exige o isolamento do trabalhador por meio de robótica, sistemas de uso único (que descartam tubulações após cada lote) e registros digitais à prova de falhas humanas.

Para apoiar essa transição, Ernesto Martínez destacou o papel da Merck em oferecer sistemas modernos de filtragem, validação de segurança e, principalmente, treinamento.

“Temos laboratórios especializados na Cidade do México e no Brasil focados em capacitar os profissionais. O treinamento contínuo é fundamental para que as empresas saibam como aplicar a tecnologia e defender seus processos diante das autoridades de saúde”, afirmou Martínez.

Com os países da América Latina atualizando suas leis e manuais técnicos para incluir essas diretrizes, a indústria farmacêutica regional se prepara para dar um salto de maturidade, garantindo que os remédios utilizados no dia a dia da população sigam o mais alto padrão de segurança do planeta.

  • Publicado: 17/06/2026 17:20
  • Alterado: 17/06/2026 17:20
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: ABC do ABC