Mendonça autoriza inquéritos da Polícia Federal sobre Lulinha
O ministro André Mendonça autorizou inquéritos da Polícia Federal para apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha
- Publicado: 01/08/2026 10:29
- Alterado: 01/08/2026 10:29
- Autor: Gabriel de Jesus
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de dois inquéritos pela Polícia Federal (PF) para investigar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. As apurações buscam esclarecer a suposta prática dos crimes de corrupção e tráfico de influência em órgãos do governo federal.
A primeira investigação foca na negociação de contratos de cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde. O pedido foi encaminhado ao STF e distribuído ao gabinete de Mendonça, que já atua como relator de apurações ligadas a irregularidades no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Suspeitas de tráfico de influência no governo federal
No dia seguinte à liberação do primeiro inquérito, o ministro deu aval a uma nova solicitação da PF envolvendo Lulinha. Desta vez, os investigadores apuram se o empresário atuou no favorecimento de empresas privadas em contratos com a Dataprev, estatal de tecnologia vinculada ao Executivo.
De acordo com o relatório policial, há suspeitas de que um empresário do setor de tecnologia tenha custeado viagens para Lulinha. Em contrapartida, a corporação investiga se houve intermediação para facilitar negócios com órgãos subordinados à gestão federal.
Manifestações das autoridades e da defesa
A defesa do empresário contestou as investigações e classificou a atuação como desnecessária. O advogado Marco Aurélio de Carvalho criticou a reiteração de pedidos por parte dos investigadores:
“A Polícia Federal está adotando a estratégia da tentativa e erro. Isso é pirotecnia, é pesca probatória. Ninguém quer que o Fábio esteja acima da lei, mas não podemos permitir que ele esteja abaixo dela”, declarou a defesa de Lulinha.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se pronunciou publicamente sobre o caso e assegurou isenção nas apurações públicas:
“Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa. Não haverá nenhum privilégio”, afirmou o chefe do Executivo.
Controle das apurações e atrito entre STF e Polícia Federal
A abertura dos processos ocorre em um cenário de divergências operacionais entre o gabinete do relator e a Polícia Federal. A corporação acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para contestar determinações impostas pelo magistrado durante as apurações.
Entre as medidas estipuladas por Mendonça estão a exigência de comunicação prévia sobre qualquer alteração na equipe de investigadores e a juntada imediata de todos os atos da apuração ao processo principal.
As investigações prosseguem sob relatoria do ministro no Supremo Tribunal Federal, que avalia o desdobramento dos relatórios apresentados pela PF.