MASP abre a coletiva ‘Histórias latino-americanas’

Com 187 obras de 148 artistas de 20 países, exposição no MASP investiga narrativas da América Latina

MASP abre a coletiva ‘Histórias latino-americanas’

Crédito: Pedro Truffi

O MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand inaugura no dia 4 de setembro de 2026 a exposição coletiva internacional “Histórias latino-americanas”. Ocupando cinco galerias do Edifício Pietro Maria Bardi (do 2º ao 6º andar), a mostra reúne 187 trabalhos de 148 artistas vindos de 20 países para investigar como colonização, processos migratórios, movimentos de resistência e projetos de desenvolvimento nacional contribuíram para a invenção e disputa de narrativas sobre a América Latina.

A exposição permanece em cartaz até 31 de janeiro de 2027 e marca o ápice do ciclo curatorial do museu em 2026, dedicado à noção plural de “Histórias”.

Curadoria, Linguagens e Diálogos Temporais

Com curadoria de Amanda Carneiro e Julieta González (com assistência curatorial de Teo Teotonio), o projeto coloca em diálogo produções que abarcam desde o período pré-colonial até a arte contemporânea. O acervo exposto contempla pinturas, fotografias, esculturas, têxteis, instalações, vídeos, mapas e documentos históricos que evidenciam o uso de imaginários e símbolos para governar, delimitar e transformar a região ao longo dos séculos.

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A curadora Amanda Carneiro destaca o caráter dinâmico e zona de conflito e criação do continente:

“A América Latina está interligada por múltiplos processos históricos, como a invasão colonial, o genocídio de populações, a herança do colonialismo europeu, o imperialismo estadunidense. Também se conecta por meio de formas coletivas de transformar a adversidade em criação, pela produção e pelo consumo de telenovelas, por festividades massivas e ritmos complexos. A exposição não pretende encerrar a discussão, nem oferecer uma narrativa total sobre o continente. Ao contrário, seu gesto é abrir a percepção sobre regimes visuais, temporalidades e questões”, explica a curadora.

Os Cinco Núcleos Temáticos da Exposição

A expografia da mostra inspira-se nos painéis, blocos de cores e cortes diagonais da obra Metaesquemas (1956–1958), de Hélio Oiticica, evitando divisões rígidas e permitindo que o visitante construa seus próprios caminhos de leitura.

A exposição está estruturada em cinco eixos centrais:

  1. O Mundo ao Revés: Ancorado no conceito andino pachakuti (inversão radical da ordem do mundo), analisa a ruptura provocada pela invasão europeia nas Américas, a invenção do mito do paraíso tropical a ser explorado e as nuances do Barroco latino-americano;
  2. Retórica do Progresso: Examina como os projetos de urbanização e industrialização do século 20 moldaram discursos de modernidade que também atuaram como instrumentos de controle, desigualdade e devastação ambiental. Uma das janelas do museu foi integrada à expografia para revelar a vista da Avenida Paulista. O núcleo exibe a obra comissionada em grande escala Nuremberg Map of Tenochtitlan, da mexicana Mariana Castillo Deball, cobrindo parte do piso com uma reprodução da cartografia colonial da capital asteca. O setor apresenta ainda obras comissionadas de JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube), Marcela Cantuária, Marcelo Cidade, Manuel Chavajay, Maurício Lupini e Podeserdesligado;
  3. Sociedades Americanas: Mapeia formas de organização comunitária e resistência popular — como quilombos, cooperativas, movimentos camponeses e pedagogias libertadoras — que construíram alternativas concretas às promessas não cumpridas do desenvolvimento urbano;
  4. Estamos em Salsa: Inspirado na canção do músico nova-iorquino Wayne Gorbea (1978), aborda o surgimento do ritmo a partir de encontros de comunidades latinas em Nova York. Obras como Inserções em Circuitos Ideológicos: Projeto Coca-Cola (1970), de Cildo Meireles, e Colombia (1980), de Antonio Caro, debatem dependência econômica, imperialismo e circulação de mercadorias globais;
  5. A Queda do Céu: Referenciando o livro homônimo de Davi Kopenawa e Bruce Albert (2010), o núcleo denuncia a catástrofe socioambiental provocada pelo garimpo e pelo extrativismo na Amazônia, articulando o sonho e os mitos indígenas como formas de conhecimento indispensáveis para a manutenção da vida.

O Ciclo Curatorial “Histórias” no MASP

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A coletiva consolida a série de projetos que o MASP desenvolve desde 2017 ao redor da noção polifônica de “Histórias”, termo que abrange relatos pessoais, ficcionais, políticos e poéticos em oposição às narrativas historiográficas monolíticas. A iniciativa já contemplou temas como Histórias da Sexualidade (2017), Histórias Afro-Atlânticas (2018), Histórias das Mulheres / Histórias Feministas (2019), Histórias da Dança (2020), Histórias Brasileiras (2021–22), Histórias Indígenas (2023), Histórias LGBTQIA+ (2024) e Histórias da Ecologia (2025).

A programação de 2026 contempla também mostras individuais de artistas como Jesús Soto, Pablo Delano, Rosa Elena Curruchich, Manuel Herreros, Mateo Manaure, Carolina Caycedo, Sol Calero, Damián Ortega, Colectivo Acciones de Arte, Claudia Alarcón & Silät, La Chola Poblete, Santiago Yahuarcani e Sandra Gamarra Heshiki.

Serviço da Exposição

  • Atração: Exposição “Histórias latino-americanas”
  • Período de Exibição: De 4 de setembro de 2026 a 31 de janeiro de 2027
  • Local: MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Edifício Pietro Maria Bardi, 2º ao 6º andar)
  • Endereço: Avenida Paulista, 1578 – Bela Vista, São Paulo/SP
  • Publicado: 21/08/2026 17:30
  • Alterado: 21/08/2026 17:30
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Assessoria