Marvel Tōkon é o novo fenômeno dos jogos de luta -Em Edição

Marvel Tōkon: Fighting Souls mistura combates 4v4, visual de anime e vozes conhecidas em uma nova aventura da Marvel nos games

Marvel Tōkon é o novo fenômeno dos jogos de luta -Em Edição

Crédito: Print - Carlos Enriki ABCdoABC

MARVEL Tōkon: Fighting Souls é um daqueles jogos que chegam com uma responsabilidade enorme nas costas. Afinal, colocar os heróis da Marvel novamente em um fighting game depois de tantos anos inevitavelmente faz qualquer fã lembrar de Marvel vs. Capcom. E a Arc System Works sabe exatamente onde está pisando.

Marvel Tokon traz uma ótima jogabilidade

A primeira coisa que chama atenção é a jogabilidade. Aqui, a tradicional pancadaria de equipes ganha uma estrutura 4v4, permitindo combinar quatro personagens e alternar entre eles durante o combate. A dinâmica lembra bastante Marvel vs. Capcom, principalmente pela utilização de assistências, combos e pela velocidade das lutas, mas Tōkon tenta construir sua própria identidade em cima dessa fórmula.

A diferença é que não estamos simplesmente diante de um “Marvel vs. Capcom 4”. A Arc System Works coloca sua experiência adquirida em jogos como Guilty Gear e Dragon Ball FighterZ no projeto. O resultado é um combate visualmente muito mais próximo do estilo anime, com golpes exagerados, animações extremamente bem trabalhadas e uma movimentação que deixa cada confronto bastante bonito de assistir.

Uma história que surpreende

O enredo também merece atenção. Em vez de simplesmente colocar os personagens para sair na porrada sem motivo, Marvel Tōkon cria uma ameaça capaz de justificar essas alianças improváveis.

O responsável por isso é o Champion, um Ancião do Universo que percorre diferentes mundos em busca de adversários dignos. Depois de derrotar o Império Shi’ar, ele escolhe a Terra como seu próximo alvo e estabelece o chamado Desafio do Campeão. As equipes precisam enfrentar o torneio para conquistar o direito de lutar contra ele e, consequentemente, tentar salvar o planeta.

O interessante é que cada equipe possui seu próprio episódio dentro do modo história. A narrativa é apresentada como uma espécie de história em quadrinhos animada, misturando linguagem de mangá com a estética tradicional dos quadrinhos da Marvel. Cada equipe ainda recebeu trabalhos de diferentes artistas, o que dá uma identidade visual própria para cada capítulo.

Isso funciona especialmente bem porque permite explorar personagens que normalmente não teriam tanto espaço em uma história tradicional da Marvel. O jogo consegue brincar com as personalidades e relações entre eles, enquanto coloca tudo dentro de uma espécie de grande evento crossover.

Visual bonito e uma dublagem que merece destaque

Visualmente, Tōkon é provavelmente um dos pontos mais fortes. A Arc System Works usa uma estética inspirada em anime que combina muito bem com os personagens da Marvel. Homem-Aranha, Wolverine, Tempestade, Capitão América e companhia parecem ter saído diretamente de uma animação de alto orçamento.

A dublagem brasileira também ajuda bastante na experiência. O jogo conta com dublagem completa em português brasileiro, e várias vozes conhecidas do público brasileiro aparecem no elenco.

E tem uma escolha que provavelmente vai chamar atenção de quem acompanha o MCU: algumas vozes conhecidas dos filmes estão presentes nos personagens. Capitão América, por exemplo, é dublado por Duda Espinoza, enquanto o Homem de Ferro conta com Marco Ribeiro. Hulk tem voz de Mauro Castro e Pantera Negra é interpretada por Carol Crespo.

No caso do Homem-Aranha, existe uma curiosidade que você percebeu durante a jogatina: a voz brasileira é a mesma utilizada pelo personagem nos jogos do Homem-Aranha desenvolvidos pela Insomniac. É uma escolha que ajuda bastante a criar familiaridade para quem já acompanha Peter Parker nos games.

É Marvel vs. Capcom?

A resposta curta é: não, mas dá para sentir a influência o tempo inteiro.

A estrutura de equipes, os assists, os combos aéreos, as trocas e o caos controlado das batalhas fazem lembrar imediatamente os clássicos da Capcom. A própria proposta 4v4 parece uma evolução natural da fórmula 3v3 que marcou Marvel vs. Capcom.

Só que a Arc System Works não tentou copiar a fórmula. Ela pegou aquela ideia de luta em equipe e colocou sua própria assinatura.

E talvez seja justamente por isso que Marvel Tōkon: Fighting Souls funciona tão bem. Ele consegue despertar a nostalgia de quem passou horas jogando Marvel vs. Capcom, mas ainda oferece uma identidade suficientemente própria para não parecer apenas uma continuação espiritual.

No fim das contas, é um jogo bonito, divertido e acessível para quem nunca foi especialista em fighting games, mas que também oferece profundidade para quem quiser aprender os personagens e explorar as possibilidades das equipes.

Para quem é fã da Marvel, é difícil não se divertir. Para quem sente falta de Marvel vs. Capcom, a sensação é ainda melhor: finalmente a Casa das Ideias voltou a trocar porrada em equipe.

  • Publicado: 30/08/2026 12:17
  • Alterado: 30/08/2026 12:17
  • Autor: Carlos Enriki
  • Fonte: ABCdoABC