Mario Frias e produtora de Dark Horse são alvos de buscas da PF

PF cumpre mandados contra Mario Frias, Karina Gama e outras 20 pessoas em investigação sobre supostas irregularidades no financiamento de Dark Horse

Mario Frias e produtora de Dark Horse são alvos de buscas da PF

Crédito: Fotos: Reprodução

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (10) uma operação de busca e apreensão contra o deputado federal Mario Frias e a produtora Karina Gama. A ação investiga supostas irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, em inquérito sob relatoria do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os agentes também cumprem mandados contra outras 20 pessoas envolvidas na cadeia de produção cinematográfica. O foco desta frente de investigação é apurar o possível direcionamento de dinheiro público para entidades e empresas ligadas à produtora executiva da obra.

Desdobramentos no STF sobre o filme Dark Horse

Banco Master - Daniel Vorcaro
(Divulgação)

Há duas apurações criminais simultâneas em andamento no STF. Enquanto um dos inquéritos investiga o uso de emendas parlamentares, o segundo examina transferências milionárias que teriam sido solicitadas pelo senador Flávio Bolsonaro ao ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro.

Segundo a investigação, o fluxo financeiro relacionado ao filme Dark Horse envolveu uma complexa operação de internacionalização de capitais. Os recursos chegaram ao fundo americano Havengate, administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao deputado federal Eduardo Bolsonaro.

Delação premiada revela esquema de repasses

O ministro André Mendonça homologou o acordo de colaboração premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Junior, proprietário da Entre Investimentos. Em depoimento, ele afirmou ter atuado a pedido de Vorcaro para viabilizar transferências internacionais.

O delator também relatou que ficou responsável por gerar dinheiro em espécie para a equipe do ex-banqueiro. “A solicitação inicial de Daniel Vorcaro foi para o envio de cerca de US$ 24 milhões para o exterior”, afirmou o empresário aos investigadores da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Datas e divergências nos pagamentos do filme Dark Horse

Dark Horse
Instagram/Jim Caviezel

O compromisso firmado previa múltiplas subscrições de cotas entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026. A defesa sustenta que os valores foram utilizados para financiar a obra. A investigação, porém, aponta divergências entre as datas informadas pelos envolvidos e os registros financeiros analisados.

Declarações anteriores indicavam maio de 2025 como o limite cronológico dos repasses. Documentos entregues às autoridades, no entanto, comprovam a realização de um pagamento de US$ 1,666 milhão em setembro, contrariando a versão apresentada inicialmente aos órgãos de controle.

Rota do dinheiro e contas nas Bahamas

A investigação também apura transações realizadas por meio de estruturas financeiras em paraísos fiscais do Caribe. O colaborador entregou faturas de pagamentos feitos no exterior por meio da Entre Investiments and Arbitrage Ltd, sediada nas Bahamas, cujos beneficiários finais ainda não foram identificados.

Os investigadores buscam confirmar se os recursos movimentados no exterior abasteceram o mesmo fundo americano. A auditoria particular contratada pela produtora Go Up afirma que o filme Dark Horse teve custo de R$ 75 milhões, integralmente financiados de forma legal. A empresa, porém, mantém os documentos e as notas fiscais sob sigilo.

Thiago Antunes

  • Publicado: 10/09/2026 07:16
  • Alterado: 10/09/2026 09:17
  • Autor: Thiago Antunes