Madonna critica uso de IA e algoritmos em produções musicais
Às vésperas de lançar novo álbum, Madonna critica o uso de inteligência artificial na música e pede valorização da conexão humana
- Publicado: 29/06/2026 18:48
- Alterado: 29/06/2026 18:48
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: FolhaPress
A cantora Madonna se posicionou de forma contundente contra o uso de recursos de inteligência artificial e algoritmos na produção artística contemporânea. Às vésperas do lançamento de seu novo álbum de estúdio, intitulado “Confessions 2”, a rainha do pop expressou sua preocupação com os rumos da indústria fonográfica atual, que, segundo ela, prioriza métricas digitais em detrimento da verdadeira essência criativa.
Em entrevista exclusiva à edição italiana da revista Vogue, Madonna afirmou que o cenário musical mudou drasticamente e passou a se importar excessivamente com estatísticas comerciais.
“Algoritmos e inteligência artificial são o oposto de correr riscos e, para mim, isso é o oposto de fazer arte”, declarou Madonna.
O resgate da conexão humana na música
A artista relembrou o início de sua carreira para contrastar com a realidade vivenciada pelos novos talentos do mercado. Para Madonna, o ambiente analógico e colaborativo de décadas passadas proporcionava um terreno muito mais fértil para a inovação e para o surgimento de obras autênticas.
“Antigamente, você estava rodeado de pintores, músicos, dançarinos e artistas, todos juntos, trabalhando a partir de uma conexão muito pura. Eu valorizo muito essa experiência. Hoje em dia, isso não acontece mais”, lamentou a cantora.
O impacto das redes sociais na indústria
De acordo com a visão crítica apresentada por Madonna, os critérios para a consolidação de uma carreira musical foram distorcidos pela relevância digital dos artistas nas plataformas de streaming e redes sociais. Ela aponta que o talento foi submetido à ditadura dos engajamentos.
“Agora, para conseguir um contrato com uma gravadora, você pensa em quantos seguidores tem”, contextualizou.
Para ilustrar seu posicionamento, Madonna citou um trecho do single “Bring Your Love”, sua colaboração recente com a cantora pop Sabrina Carpenter. Na letra da canção, ela canta: “Don’t try to distract me with numbers / I did it all for love” (em tradução livre: “Não tente me distrair com números / Eu fiz tudo por amor”).
Processo criativo e o uso de celulares
A busca pelo isolamento e por momentos longe dos holofotes também foi defendida pela rainha do pop como uma ferramenta essencial para a manutenção de sua identidade artística. “Eu gosto de fazer pausas e desaparecer. É assim que você alimenta sua imaginação”, explicou. Segundo ela, ser artista de verdade significa viver por meio da inspiração, de novos desafios e de estímulos constantes.
Esta postura cética em relação ao avanço tecnológico desenfreado não é inédita na trajetória da estrela. Durante a pré-estreia do curta-metragem “Confessions 2 – The Film”, realizada no Beacon Theater, em Nova York, Madonna chamou a atenção dos espectadores ao exigir que os aparelhos eletrônicos fossem guardados. Para ela, a necessidade contemporânea de registrar cada momento de forma digital prejudica a experiência real do espetáculo.
“Larguem esses malditos celulares e interajam uns com os outros”, disparou Madonna na ocasião.