Lúpus em cães pode afetar rins, pele e articulações

Lúpus em cães pode causar lesões de pele, anemia, febre e alterações renais; diagnóstico exige avaliação veterinária e acompanhamento contínuo do animal

Lúpus em cães pode afetar rins, pele e articulações

Crédito: Imagem editada com auxilio de IA

O lúpus em cães é uma doença autoimune que pode afetar a pele ou comprometer diferentes órgãos do organismo. Nos casos sistêmicos, o animal pode apresentar febre, dores e inflamações nas articulações, anemia, alterações renais e lesões cutâneas.

A veterinária Michele Sandro, responsável pela clínica Pet Pillar, explica que a doença pode se apresentar principalmente de duas formas: o lúpus eritematoso sistêmico e o lúpus eritematoso discoide, também conhecido como lúpus cutâneo.

Lúpus em cães pode comprometer diferentes órgãos

O lúpus eritematoso sistêmico é a forma mais abrangente da doença. Nesses casos, o sistema imunológico passa a atacar estruturas do próprio organismo, podendo provocar alterações em diferentes órgãos.

Entre os sinais estão febre, poliartrite, alterações no baço e problemas hematológicos, como anemia. Os rins também podem ser afetados, com ocorrência de proteinúria e outras alterações na função renal.

O animal também pode apresentar redução das plaquetas e dos glóbulos brancos, além de manifestações nas articulações. A combinação de sintomas pode dificultar a identificação da doença.

Lesões no focinho podem chamar atenção

As manifestações na pele estão entre os sinais que podem levar à investigação do lúpus. Despigmentação, crostas, vermelhidão, feridas e alterações no pelo podem aparecer principalmente no nariz, focinho e ao redor dos olhos.

Foi o que aconteceu com Dogson, um cão resgatado em 2018. A tutora conta que inicialmente surgiu uma lesão clara na ponta do focinho, que chegou a ser associada à exposição ao sol.

A alteração aumentou ao longo do tempo e o cachorro passou por diferentes especialistas até receber o diagnóstico. Durante esse período, a aparência da lesão chegou a gerar interpretações equivocadas.

Segundo a família, algumas pessoas chegaram a evitar a aproximação de outros cães por acreditarem que o problema poderia ser contagioso. O lúpus, porém, não é contagioso.

Lúpus em cães pode ficar restrito à pele

O lúpus eritematoso discoide apresenta manifestações predominantemente cutâneas. Nesse tipo da doença, as alterações ficam concentradas na pele e podem incluir perda de pigmentação, vermelhidão, crostas e feridas.

A exposição ao sol pode agravar as lesões, principalmente em áreas como nariz e focinho. Por esse motivo, o controle da exposição solar pode fazer parte do tratamento.

Já o lúpus sistêmico pode atingir outros órgãos e apresentar um quadro mais grave. A pele pode ser apenas uma das partes afetadas.

Como o lúpus é diagnosticado

O diagnóstico não depende de um único exame. O veterinário precisa avaliar os sinais apresentados pelo animal e cruzar as informações com exames laboratoriais e, quando necessário, procedimentos específicos.

Podem ser solicitados hemograma, exames bioquímicos, análise de urina, avaliação da função renal e exames relacionados ao sistema imunológico. Nos casos com alterações dermatológicas, a biópsia de pele também pode ser utilizada.

Os testes imunológicos precisam ser interpretados dentro do conjunto de informações clínicas. Um resultado positivo não confirma sozinho a doença, assim como um resultado negativo não necessariamente exclui o diagnóstico.

Por isso, quando uma alteração dermatológica persiste ou não responde ao tratamento esperado, a recomendação é procurar avaliação veterinária especializada.

Tratamento controla a resposta imunológica

O tratamento busca reduzir a atividade exagerada do sistema imunológico. Nos casos diagnosticados, corticosteroides podem fazer parte da terapia, enquanto outros medicamentos imunossupressores podem ser associados conforme a necessidade.

A escolha depende da forma da doença, da gravidade do quadro e dos órgãos comprometidos. O acompanhamento precisa ser contínuo para avaliar a resposta ao tratamento e possíveis efeitos colaterais.

Os medicamentos imunossupressores podem aumentar a suscetibilidade a infecções, o que torna o acompanhamento veterinário ainda mais importante.

Quando procurar um veterinário

Lesões persistentes na pele, perda de pigmentação no nariz, feridas, crostas, febre recorrente, dores nas articulações, fraqueza ou alterações urinárias devem ser avaliadas por um profissional.

A identificação precoce pode ajudar a diferenciar uma doença exclusivamente dermatológica de um quadro sistêmico.

O lúpus em cães não tem cura, mas pode ser controlado com tratamento e acompanhamento adequados. Nos casos sistêmicos, a atenção deve ser redobrada porque a doença pode comprometer órgãos como rins, sangue e articulações.

Carlos Enriki

  • Publicado: 01/09/2026 15:50
  • Alterado: 01/09/2026 15:50
  • Autor: Carlos Enriki