Lula na Paulista mobiliza militância para virar voto no 2º turno
Mobilização massiva na capital paulista tenta reverter o desânimo da esquerda e encurtar a vantagem do adversário nas urnas
- Publicado: 11/10/2026 16:53
- Alterado: 11/10/2026 16:53
- Autor: Leonardo Nogueira
Lula na Paulista reuniu milhares de apoiadores na tarde deste domingo (11) para dar uma virada de chave em sua campanha presidencial. O ato, batizado de Marcha pela Democracia, ocupou a maior parte dos 2,8 quilômetros do corredor viário, estendendo-se do Paraíso até a Consolação. O objetivo da coligação é claro. O grupo quer engajar a militância para reduzir a abstenção no segundo turno e buscar o eleitor indeciso no corpo a corpo.
Atrás nas pesquisas de intenção de voto do Datafolha, que aponta Flávio Bolsonaro com 52% contra 48% do petista, o candidato fez um aceno direto ao público jovem. O discurso reconheceu falhas de comunicação da própria candidatura.
“A juventude tem que ser ouvida. Não basta fazer as coisas de cima para baixo. Esse país não pode perder a democracia”, declarou o candidato.
Juventude e alianças estratégicas na Paulista

A presença de Lula na Paulista serviu para expor novas lideranças do Nordeste, reduto histórico do partido. O evento contou com a participação dos governadores eleitos e reeleitos Rafael Fontenelle (Piauí), Elmano de Freitas (Ceará) e Jerônimo Freitas (Bahia). A estratégia mirou os eleitores paulistas com origens familiares na região nordestina, tentando resgatar essa ligação histórica para somar votos decisivos no Sudeste.
A articulação política também ganhou força no ambiente online. O deputado federal André Janones assumiu a liderança do ecossistema digital da campanha, operando o canal “Exército do Lula” no WhatsApp. O grupo acumulava mais de 3 milhões de participantes antes de ser alvo de medidas restritivas por determinação judicial.
- Ocupação do corredor da Avenida Paulista em quase sua totalidade.
- Enfrentamento direto do desgaste com a juventude por meio de mea culpa.
- Apresentação de governadores nordestinos como trunfos políticos.
- Transferência da militância digital para novas plataformas sociais.
Tensão institucional e críticas à Justiça Eleitoral
O clima político escalou quando o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, ordenou o bloqueio do canal de mensagens a pedido da chapa adversária. A decisão motivou duras manifestações de Lula na Paulista, questionando a neutralidade do magistrado indicado ao Supremo Tribunal Federal pela gestão anterior.
“Não é possível que um presidente eleitoral não tenha um comportamento civilizado. Já há alguns dias estou percebendo decisões tendenciosas contra nossa candidatura”, criticou o petista.
A estratégia da campanha foi alterada às pressas. Janones convocou os apoiadores para migrarem rumo ao Instagram, classificando a decisão como tentativa de censura. Internamente, o próprio candidato reconheceu a aliados e ao coordenador Edinho Silva que o primeiro turno da chapa teve falhas graves de organização. A reta final agora exige esforço máximo da militância, visto que Lula na Paulista deixou claro que só o trabalho de rua garantirá o resultado.