Lula sobre investigação de Lulinha: ‘Não haverá nenhum privilégio’
Lula afirmou que o filho Lulinha não terá privilégios caso seja julgado, após o STF autorizar a abertura de inquérito por suspeitas de corrupção.
- Publicado: 31/07/2026 07:34
- Alterado: 31/07/2026 07:34
- Autor: Thiago Antunes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (30) que não haverá proteção governamental caso Lulinha precise responder na Justiça. A declaração ocorre após o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar a abertura de inquérito contra o empresário.
O ministro André Mendonça determinou que a Polícia Federal apure suspeitas de tráfico de influência e corrupção. O foco da apuração envolve supostas tentativas de favorecimento na formulação de contratos públicos.
“Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa”, afirmou o presidente da República durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda.
Entenda as suspeitas que envolvem Lulinha
As autoridades investigam a relação do filho do presidente com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, apontado como operador de desvios no INSS. A nova frente de trabalho dos agentes mira o setor de negócios voltados para a cannabis medicinal.
Documentos do inquérito indicam que o lobista tentou firmar um acordo milionário com o Ministério da Saúde em 2024 e 2025 para fornecer canabidiol. A desconfiança dos investigadores recai sobre a suposta atuação de Lulinha para facilitar o acesso de empresários ao alto escalão da pasta.
“Se for julgado ele virá para cá, não vai ficar escondido não. Vai ter que provar que é inocente”, declarou o chefe do Executivo ao comentar o andamento processual do caso.
Defesa aponta falta de provas e governo nega contratos
A equipe jurídica do empresário criticou de imediato a decisão do tribunal. O advogado Marco Aurélio de Carvalho classificou o pedido do novo inquérito como uma manobra isolada para buscar crimes sem indícios prévios.
“A PF não achou nada no INSS e vai procurar em outro lugar. Isso é pesca probatória”, argumentou o defensor de Lulinha.
Representantes do Ministério da Saúde emitiram nota oficial negando qualquer vínculo comercial ou aproximação com a empresa World Cannabis e seus acionistas. A gestão do ministério garantiu a inexistência de repasses de recursos públicos ao grupo alvo da operação.
O inquérito agora segue os trâmites do judiciário para a fase de coleta de depoimentos e análise de provas materiais. O avanço contínuo dessas diligências definirá se Lulinha enfrentará um processo criminal formal perante os tribunais superiores.