Lula envia carta a evangélicos e cita bets e escala 6x1
Documento divulgado pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito aborda bets, jornada de trabalho, segurança e saúde em meio à campanha de reeleição.
- Publicado: 14/10/2026 14:42
- Alterado: 14/10/2026 15:03
- Autor: Thiago Antunes
O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, enviou uma carta às famílias evangélicas em mais uma tentativa de aproximação com esse segmento do eleitorado. O documento, datado desta quarta-feira (14), foi divulgado nas redes sociais pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e aborda temas como religião, família, apostas on-line, jornada de trabalho, segurança pública e saúde.
Na mensagem, Lula afirma ter “total respeito” pelos cristãos e pede que os eleitores evangélicos recorram à oração e ao “discernimento” antes de fazer a escolha nas urnas. O presidente também apresenta ações e compromissos de seu governo, relacionando políticas públicas à proteção das famílias brasileiras.
A divulgação ocorre durante a campanha eleitoral de 2026, em que Lula enfrenta resistência entre os evangélicos. Pesquisa Quaest divulgada em 28 de setembro apontou o presidente com 27% das intenções de voto nesse segmento no primeiro turno, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) registrava 46%.
Lula cita combate às bets e defesa do descanso semanal

Entre os principais pontos da carta, Lula destaca o combate às apostas on-line, conhecidas como bets, e afirma que a atividade está “destruindo tantos lares”. O presidente apresenta o tema como parte das medidas de seu governo voltadas à proteção das famílias.
O documento também aborda a jornada de trabalho e o empenho de Lula para que os trabalhadores tenham dois dias de descanso semanal. Na avaliação apresentada pelo presidente, a vida não deve se resumir ao trabalho, e o tempo livre é importante para o lazer e a convivência familiar.
“As pessoas precisam de mais tempo para descansar, ter lazer e estar em casa com os seus, fortalecendo os vínculos familiares”, afirma o texto.
Lula também relaciona a discussão ao cotidiano religioso dos evangélicos. Segundo a carta, a ampliação do período de descanso permitiria que os fiéis passassem mais tempo nas igrejas, participando de atividades religiosas e convivendo com outros integrantes da comunidade.
O tema aparece em meio à votação, prevista para esta quarta-feira (14), da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A medida é uma das bandeiras defendidas pelo presidente em sua campanha à reeleição.
Segurança pública e proteção das famílias
Outro eixo da mensagem é a segurança pública. Lula afirma estar empenhado em proteger as mulheres, combater diferentes formas de violência e enfrentar o crime organizado por meio da inteligência policial.
O presidente também menciona a proteção de crianças e adolescentes e a necessidade de preservar vidas inocentes. Ao abordar esses assuntos, procura associar as ações de governo à preocupação com a segurança e o bem-estar das famílias brasileiras.
Na carta, Lula afirma que o país ainda precisa avançar em áreas como segurança, prosperidade e oportunidades. O presidente diz estar atento às demandas da população e apresenta esses temas como compromissos para a continuidade de sua atuação política.
Saúde, renda e preservação ambiental

A melhoria da saúde pública também aparece entre os compromissos mencionados por Lula. O presidente afirma que pretende garantir melhores condições de atendimento para as famílias.
Outro ponto destacado é o aumento real da renda e do poder de compra. Na mensagem, Lula relaciona a questão econômica às condições de vida da população e à busca por maior prosperidade.
O presidente ainda cita a preservação da natureza, associando o cuidado com o meio ambiente à criação divina. A referência integra o esforço de aproximar os temas de governo dos valores religiosos presentes na carta.
Ao longo do documento, Lula também menciona sua trajetória pessoal e política. Ele relembra a criação ao lado da mãe, Dona Lindu, e dos sete irmãos, destacando o papel da família em sua formação. O presidente afirma que essa experiência contribuiu para seu compromisso com a melhoria das condições de vida das famílias pobres e trabalhadoras.
Lula pede discernimento aos eleitores evangélicos
No encerramento da carta, Lula faz um apelo direto aos eleitores evangélicos para que considerem a fé e a oração na decisão eleitoral.
“Sei que, nas famílias evangélicas, tudo se decide em oração. Por isso, conclamo vocês a pedirem discernimento a Deus para fazer a escolha nesta eleição”, afirma o presidente.
A mensagem também defende que os eleitores compareçam às urnas com a consciência livre e reafirma o compromisso de Lula com um Brasil mais justo, respeitoso e com oportunidades para todos.
PT busca aproximação com o eleitorado evangélico
A iniciativa faz parte de uma estratégia de aproximação com os evangélicos adotada por Lula e pelo PT nos últimos anos.
Em junho deste ano, o partido divulgou outra carta destinada ao segmento, na qual afirmou que governos petistas mantiveram uma postura de respeito e reconhecimento às igrejas. Na eleição de 2022, a campanha de Lula também divulgou uma mensagem em que o então candidato defendia a liberdade religiosa, criticava o uso eleitoral da fé e declarava ser pessoalmente contra o aborto.
Apesar dessas iniciativas, pesquisas citadas no cenário eleitoral de 2026 apontam dificuldades para o presidente entre os eleitores evangélicos. Levantamento Datafolha divulgado em 1º de outubro mostrou vantagem de Flávio Bolsonaro nesse segmento em uma simulação de segundo turno, embora Lula e o senador aparecessem tecnicamente empatados no conjunto do eleitorado, com 48% e 45%, respectivamente.
Também nesta quarta-feira (14), o vice-presidente Geraldo Alckmin e o advogado-geral da União, Jorge Messias, divulgaram um vídeo convidando o público cristão a participar do canal “Cristãos com Lula 13”, voltado à mobilização de eleitores religiosos em apoio à reeleição do presidente.
A iniciativa foi divulgada em meio à suspensão, por 48 horas, do canal “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), por determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques.