Lula amplia ajuda a empresas afetadas por tarifaço dos EUA
Lula anuncia nova etapa do Brasil Soberano com R$ 13,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelo tarifaço dos Estados Unidos
- Publicado: 22/07/2026 14:58
- Alterado: 22/07/2026 14:58
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: FOLHAPRESS
O presidente Lula anunciará nesta quarta-feira (22), às 15h, no Palácio do Planalto, uma nova rodada de apoio financeiro destinada às empresas brasileiras prejudicadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A terceira fase do Plano Brasil Soberano contará com R$ 13,5 bilhões em novos recursos, incluindo um reforço financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Durante a cerimônia, Lula também sancionará o projeto de lei, originado de uma medida provisória, que oficializa a segunda etapa do programa Brasil Soberano.
Lula amplia apoio enquanto setores cobram novas medidas
Na terça-feira (21), representantes de segmentos da economia afetados pelo tarifaço se reuniram com integrantes do governo federal para apresentar reivindicações. Entre os pedidos estão a adoção de barreiras contra a importação de produtos chineses, a ampliação das linhas de crédito e a intensificação das negociações com os Estados Unidos para tentar reverter as tarifas, evitando a adoção de medidas de reciprocidade.
As novas tarifas determinadas pelo presidente norte-americano Donald Trump entram em vigor nesta quarta-feira. A alíquota de 25%, anunciada na semana passada, será aplicada a produtos brasileiros, embora cerca de 2.100 itens permaneçam isentos da cobrança. Entre as exceções estão carne, café, laranja, suco de laranja e componentes utilizados na fabricação de aeronaves, considerados estratégicos para as exportações brasileiras.
O BNDES solicitou ao Ministério da Fazenda a liberação de R$ 7,25 bilhões adicionais para fortalecer as linhas de financiamento criadas pelo governo federal com o objetivo de minimizar os efeitos do tarifaço.
Segundo o banco, os financiamentos podem cobrir até 100% dos investimentos realizados pelas empresas, com prazo de pagamento de até 20 anos e período de carência de até quatro anos para projetos de investimento. As taxas de juros variam conforme a modalidade e o perfil do contratante, ficando entre 7,9% e 13,5% ao ano para investimentos e entre 10,2% e 15,7% ao ano para operações de capital de giro.
Como funciona o Plano Brasil Soberano
Criado em 2025 pelo governo federal, o Plano Brasil Soberano tem como objetivo oferecer crédito às empresas brasileiras afetadas tanto pelo tarifaço norte-americano quanto pelos impactos econômicos provocados pela guerra no Oriente Médio.
Em 2026, o programa disponibilizou R$ 21 bilhões em financiamentos. Desse total, R$ 15 bilhões foram garantidos por recursos do Tesouro Nacional, por meio do Fundo de Garantia à Exportação (FGE), enquanto outros R$ 6 bilhões foram aportados pelo BNDES.
Programa oferece quatro modalidades de financiamento
O programa reúne quatro modalidades de crédito voltadas ao fortalecimento das empresas. A principal linha financia projetos de investimento, como construção de fábricas, ampliação de unidades industriais e modernização de instalações, podendo custear até 100% do projeto, com pagamento em até 20 anos e carência de quatro anos.
Também há uma linha destinada ao capital de giro, voltada ao reforço do caixa das empresas, com prazo de pagamento de até cinco anos e carência de até dois anos.
Outras modalidades contemplam capital de giro para operações de exportação e financiamento para aquisição de máquinas e equipamentos, com prazo de até cinco anos e carência de até um ano.
Além dos prazos estendidos, um dos principais atrativos do programa está nas condições financeiras. As taxas de juros permanecem entre 7,9% e 13,5% ao ano para projetos de investimento e entre 10,2% e 15,7% ao ano para capital de giro, conforme estimativas do BNDES. A proposta do governo é oferecer condições mais competitivas que as disponíveis no mercado privado, permitindo que as empresas mantenham seus investimentos e reduzam os impactos provocados pelo cenário internacional.