Líder indígena Raoni passa por cirurgia no Hospital São Paulo

O líder indígena Raoni passa por cirurgia de desobstrução intestinal neste sábado na Unifesp, após ser transferido de Mato Grosso

Crédito: Reprodução

O líder indígena Raoni Metuktire será submetido a uma cirurgia de desobstrução intestinal na tarde deste sábado (20/06) no Hospital São Paulo, unidade ligada à Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Aos 96 anos, o cacique foi transferido na manhã de sexta-feira (19) de Sinop, no norte de Mato Grosso, para a capital paulista, com o objetivo de dar continuidade ao seu tratamento de saúde e acompanhamento cirúrgico.

Transferência e quadro clínico do cacique

A decisão pela transferência de Raoni ocorreu após uma avaliação conjunta das equipes médicas responsáveis pelo seu caso em Mato Grosso. O transporte interestadual foi realizado por meio de uma aeronave disponibilizada pelo Governo do Estado de Mato Grosso.

De acordo com o boletim médico oficial divulgado pelo Hospital São Paulo, o paciente apresentava um quadro complexo em sua chegada.

“No momento da chegada, nesta sexta, Raoni apresentava quadro de obstrução intestinal, desidratação e pneumonia aspirativa. Ele passou a noite na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) sem febre e respirando sem necessidade de aparelhos.”

O líder indígena estava internado no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, desde o último domingo (14), quando recebeu o diagnóstico de sepse pulmonar associada a uma pneumonia broncoaspirativa. Os primeiros sintomas manifestaram-se no sábado (13), em sua residência na região de Peixoto de Azevedo (MT), onde apresentou episódios de vômito, tosse persistente, dor abdominal e eliminação de pequena quantidade de sangue pela boca.

Estabilização antes da viagem

Apesar da gravidade inicial, a equipe médica de Mato Grosso informou que o cacique apresentou melhora significativa da função renal e redução dos indicadores de infecção ao longo da semana. Ele chegou a deixar a UTI em Sinop antes de embarcar para São Paulo em condição clínica estável, lúcido e consciente.

O deslocamento de Raoni foi acompanhado por dois familiares, um médico intensivista e um enfermeiro. Na capital paulista, o procedimento cirúrgico e o acompanhamento serão conduzidos pelo cirurgião Franz Robert Apodaca Torrez, professor da Escola Paulista de Medicina da Unifesp.

Histórico de saúde e comorbidades

Esta nova internação de Raoni ocorre menos de um mês após ele ter recebido alta da mesma unidade hospitalar em Sinop. Em maio, o líder indígena foi hospitalizado devido a complicações respiratórias e gastrointestinais, além de ter enfrentado outra internação de cinco dias para tratar dores abdominais associadas a uma hérnia.

Aos cuidados médicos soma-se a atenção a comorbidades pré-existentes relatadas por seus médicos, que incluem:

  • Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC);
  • Insuficiência cardíaca;
  • Uso de marcapasso cardíaco;
  • Hérnia diafragmática.

Desde 2020, o cacique já passou por seis internações no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros. A forte relação com a unidade de Sinop foi estabelecida por meio das Expedições UFMT-Xingu, um projeto de extensão da Universidade Federal de Mato Grosso que leva atendimento especializado diretamente às aldeias da Terra Indígena Capoto/Jarina.

Trajetória internacional na defesa da Amazônia

Reconhecido globalmente, Raoni consolidou-se como uma das principais vozes na defesa da Amazônia e dos direitos dos povos originários. Sua atuação ganhou projeção nacional nos anos 1970, quando liderou protestos contra a construção da rodovia Transamazônica durante o período da ditadura militar.

Sua projeção internacional expandiu-se em 1989, após alinhar-se ao músico britânico Sting. O encontro resultou em uma série de viagens pelo mundo, transformando Raoni em um símbolo global da conservação ambiental e da demarcação de terras indígenas no Brasil.

  • Publicado: 20/06/2026 16:47
  • Alterado: 20/06/2026 16:47
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: FolhaPress