Junho Vermelho reforça importância da doação de sangue
Campanha nacional destaca a relevância da doação de sangue para manter os estoques abastecidos e salvar vidas em todo o país
- Publicado: 09/06/2026 11:17
- Alterado: 09/06/2026 11:18
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: IBMR
Com a chegada do Junho Vermelho, campanha nacional de conscientização sobre a importância da doação, surgem dúvidas frequentes sobre o procedimento. Questões como a necessidade de jejum, quem pode doar e quais cuidados devem ser adotados antes e depois da coleta ainda geram incertezas entre parte da população.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil registrou 3,31 milhões de coletas em 2024 e 2,71 milhões em 2025, considerando números preliminares entre janeiro e outubro. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que aproximadamente 3% da população de cada país seja doadora para garantir estoques adequados e atender à demanda dos serviços de saúde.
Segundo Jéssica Brunoni, professora de Enfermagem do IBMR, integrante do Ecossistema Ânima, a prática é segura e acessível para a maior parte das pessoas, desde que os critérios estabelecidos sejam respeitados.
Quem pode ser doador
Para realizar a doação, é necessário ter entre 16 e 69 anos, menores de idade precisam de autorização dos responsáveis , estar em boas condições de saúde e pesar mais de 50 quilos.
Algumas situações podem impedir temporariamente o procedimento, como gripe, febre, anemia, transfusões sanguíneas realizadas nos últimos 12 meses, cirurgias ou extrações dentárias recentes, tatuagens e piercings feitos no último ano, além de gravidez e parto ocorrido há menos de um ano.
Mitos sobre o procedimento
Entre os equívocos mais comuns está a crença de que é necessário estar em jejum. De acordo com a especialista, essa informação é falsa. A recomendação é apenas evitar refeições com alto teor de gordura nas três horas que antecedem a coleta.
Outro mito recorrente é a ideia de que o procedimento pode transmitir doenças ou causar prejuízos à saúde do doador.
“Todo o material utilizado nos centros de captação é descartável e de uso único, então não existe risco de contrair doenças durante a coleta. Além disso, quando a pessoa está apta para doar, a retirada desse volume de sangue não causa anemia nem oferece prejuízos à saúde”, explica Jéssica Brunoni.
A especialista também alerta que a doação de sangue não deve ser utilizada como forma de rastreamento de doenças.
“A doação de sangue não deve ser utilizada para fazer rastreio de doenças como HIV, hepatites e sífilis. Existem testes rápidos gratuitos disponíveis na rede pública de saúde e há também a chamada janela imunológica, período em que uma infecção recente pode não ser detectada. Por isso, o procedimento deve ser realizado de forma consciente e responsável”, afirma.
Como funciona a coleta
O processo é simples e dura poucos minutos. Ao chegar ao hemocentro, o candidato realiza um cadastro, apresenta um documento oficial com foto e passa por uma entrevista clínica conduzida por um profissional de saúde.
Nessa etapa, são avaliadas as condições gerais de saúde e possíveis impedimentos temporários. Após a aprovação na triagem, a coleta costuma levar entre 10 e 15 minutos.
Ao final, o doador recebe um lanche e permanece alguns minutos em observação antes de ser liberado. Também é recomendado aumentar a ingestão de líquidos, evitar atividades físicas intensas no mesmo dia e não carregar peso com o braço utilizado durante a coleta.
Frequência das doações e impacto para a sociedade
Outra dúvida frequente envolve o intervalo necessário entre uma doação e outra. Os homens podem realizar o procedimento a cada dois meses, respeitando o limite de quatro vezes por ano. Já as mulheres podem doar a cada três meses, com limite anual de três doações.
Além de representar um gesto de solidariedade, a doação de sangue tem impacto direto na assistência a milhares de pacientes. Uma única bolsa pode ser fracionada em componentes como hemácias, plasma e plaquetas, beneficiando mais de uma pessoa.
“A manutenção dos estoques é fundamental para garantir a realização de cirurgias, atendimentos de emergência, tratamentos oncológicos e hematológicos, entre diversos outros procedimentos. Como os componentes sanguíneos possuem prazo de validade, as doações precisam acontecer de forma contínua ao longo do ano. Por isso, a doação voluntária é tão importante para toda a sociedade”, conclui Jéssica Brunoni.