Jornada do Conhecimento debate habitação popular em SBC
Jornada do Conhecimento debate políticas habitacionais de São Bernardo voltadas à urbanização sem remoções e à entrega de 10 mil escrituras
- Publicado: 05/11/2026 23:01
- Alterado: 05/11/2026 23:01
- Autor: Gabriel de Jesus
As diretrizes de urbanização e regularização fundiária de São Bernardo do Campo foram apresentadas como estudo de caso na 10ª edição da Jornada do Conhecimento, encontro promovido pela Fundação Volkswagen na capital paulista. Realizado no Museu das Favelas, o evento reuniu gestores públicos, lideranças comunitárias e especialistas para discutir estratégias de mobilidade socioespacial nas periferias brasileiras.
Durante a Jornada do Conhecimento, a secretária de Habitação do município, Ruth Ramos, detalhou os critérios técnicos adotados pela administração do prefeito Marcelo Lima para mitigar carências estruturais em assentamentos vulneráveis sem recorrer à remoção forçada de moradores.
Regularização e permanência comunitária em debate
O painel temático da Jornada do Conhecimento abordou o tema “Pobreza, território e mobilidade social: entre a ausência e a potência”. Na exposição técnica, a representante de São Bernardo explicou a transição no modelo de intervenção urbana, que prioriza a consolidação dos núcleos habitacionais em locais sem risco geológico grave, reduzindo a dependência transitória do benefício de auxílio-aluguel.
A secretária Ruth Ramos pontuou as premissas sociais do trabalho de infraestrutura desenvolvido na cidade:
“Entre tantos avanços importantes, São Bernardo apresentou a nova forma de pensar e fazer política habitacional, que prioriza a permanência das pessoas em seus locais. Uma nova lógica aplicada para os casos em que não há riscos à vida humana. Ao invés de remover, para colocar famílias em um programa de auxílio aluguel até a conclusão do processo de construção de unidades habitacionais, estamos priorizando investimentos estruturais feitos a partir do diálogo com a comunidade e da realização de um diagnóstico sobre a realidade e as demandas das pessoas.”
A secretária completou a intervenção destacando os impactos de longo prazo nos assentamentos:
“Com isso, estamos levando desenvolvimento social e econômico para diferentes regiões da cidade. E também preservamos os vínculos dos moradores com seus bairros, com a garantia da permanência na casa que por anos lutaram para construir.”
A mesa da Jornada do Conhecimento contou ainda com a participação da conselheira municipal de Habitação de São Paulo Sheila Mendes e do pesquisador de urbanismo social Tomas Alvim, que analisaram conexões multissetoriais entre o poder público e a iniciativa privada.
Obras estruturais e entrega de 10 mil escrituras
O programa habitacional apresentado durante a Jornada do Conhecimento abrange obras de saneamento básico, canalização de esgoto, pavimentação asfáltica e estabilização de encostas por meio de repasses municipais, estaduais e federais. As principais frentes de trabalho concentram-se em áreas periféricas densamente povoadas:
- Complexo do Areião: Intervenções de drenagem e abertura de espaços verdes na região do Montanhão.
- Grande Alvarenga: Obras de contenção e saneamento nos núcleos Alvarenguinha e Serro Azul.
- Parque Imigrantes: Implantação de infraestrutura viária e mitigação de alagamentos.
No campo da segurança jurídica, a Prefeitura atingiu a marca de mais de 10 mil títulos de propriedade e escrituras entregues a moradores de bairros como Vila São Pedro, Riacho Grande, Dos Casa, Baeta Neves e Montanhão.
Inserção postal e planejamento na Jornada do Conhecimento
Outro mecanismo de cidadania detalhado na Jornada do Conhecimento foi o processo de cepeamento de vias públicas, realizado em convênio com a União. A atribuição de CEP oficial aos imóveis contemplou a Vila Moraes e o Jardim Cruzeiro do Sul, permitindo a localização postal regular das famílias.
A mesma metodologia cadastral avança nos núcleos Cafezal, Jardim Limpão e Jardim Regina, no bairro Ferrazópolis. Ao integrar o planejamento exposto na Jornada do Conhecimento, a formalização de endereços funciona como requisito topográfico inicial para o desenho de novas redes coletoras e vias públicas nos bairros da cidade.