Jair Bolsonaro pede visita dos filhos no Dia dos Pais
Defesa solicita ao STF autorização para que Jair Bolsonaro receba Flávio, Carlos e Jair Renan durante a prisão domiciliar no domingo
- Publicado: 05/08/2026 17:43
- Alterado: 05/08/2026 17:43
- Autor: Daniela Penatti
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (5), um pedido para que ele seja autorizado a receber os filhos Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, Carlos Bolsonaro (PL), candidato ao Senado, e o vereador Jair Renan (PL) na tarde do próximo domingo (9), quando é celebrado o Dia dos Pais.
A solicitação será analisada pelo ministro Alexandre de Moraes, responsável por decidir se o encontro poderá ocorrer durante o período de prisão domiciliar cumprido pelo ex-chefe do Executivo.
Defesa de Jair Bolsonaro alega motivo humanitário

Na petição encaminhada ao Supremo, os advogados afirmam que o pedido possui “caráter estritamente humanitário e familiar” e sustentam que a autorização não comprometeria o cumprimento da pena nem das medidas cautelares determinadas por Moraes.
Segundo a defesa, a celebração do Dia dos Pais representa uma ocasião excepcional do calendário brasileiro e permitiria, mesmo que por curto período e sob as condições estabelecidas pelo ministro, preservar os vínculos familiares e a convivência entre pai e filhos.
Eduardo Bolsonaro ficou fora da solicitação

O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), conhecido como “Filho 03”, não foi incluído no pedido porque permanece nos Estados Unidos desde o ano passado. Ele foi condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão por atuar no exterior com o objetivo de intimidar o Judiciário brasileiro e dificultar a análise da investigação sobre a tentativa de golpe de Estado.
Desde julho, Jair Bolsonaro está proibido de receber visitas de familiares. A restrição foi imposta quando Alexandre de Moraes decidiu manter o ex-presidente em prisão domiciliar na residência onde vive, em um condomínio localizado no Jardim Botânico, área nobre de Brasília, ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, da filha Laura e da enteada Letícia.
Restrições impostas por Alexandre de Moraes

Na decisão proferida em 17 de julho, o ministro determinou que apenas advogados, médicos e fisioterapeutas poderiam entrar na residência do ex-presidente durante um período de 30 dias.
No caso de Flávio Bolsonaro, a proibição de contato com o pai foi fixada por 90 dias, prazo que se estende para além do primeiro turno das eleições. Moraes justificou a medida afirmando que houve descumprimento da cautelar que impede Jair Bolsonaro de utilizar redes sociais, direta ou indiretamente, após a divulgação de uma carta em que o ex-presidente definiu o filho como seu “porta-voz” e representante político.
Em março, Flávio foi habilitado como advogado do pai no processo relacionado à trama golpista, o que lhe garantia acesso ao ex-presidente quando este estava preso na unidade conhecida como Papudinha, em Brasília. A estratégia permitia a continuidade das articulações políticas entre ambos.
Aliados do senador e o próprio Flávio têm criticado a proibição das visitas, argumentando que a decisão de Moraes interfere no cenário eleitoral de 2026. Segundo eles, a restrição afeta a pré-campanha presidencial do parlamentar e dificulta a organização de alianças e palanques do bolsonarismo, já que a vedação permanece em vigor até 11 de outubro.
A defesa de Jair Bolsonaro já havia recorrido da decisão em 24 de julho, alegando que a medida extrapola a condenação referente à suspensão dos direitos políticos e impõe limitações à liberdade de pensamento do ex-presidente.