Internações de alta complexidade disparam 35% em SP

Hospitais estaduais aceleram cirurgias eletivas enquanto internações de alta complexidade avançam no interior e encurtam o tempo de espera do SUS em São Paulo.

Internações de alta complexidade disparam 35% em SP

Crédito: Breno Esaki/Agência Saúde

O sistema hospitalar paulista bate recorde de procedimentos cirúrgicos e terapêuticos. As internações de alta complexidade devem somar 304,4 mil ocorrências até o final de 2026 em São Paulo, anotando uma expansão de 35% frente aos 224,7 mil atendimentos catalogados em 2022. O salto quantitativo vem acompanhado de uma queda drástica nas filas de espera ambulatorial, comprovando ganhos na velocidade do fluxo clínico nos hospitais públicos.

Os indicadores foram detalhados pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS). O consultor técnico do organismo internacional, João Gabbardo dos Reis, apresentou a série histórica mostrando que a fila por exames diagnósticos recuou 59,6% entre 2023 e 2026. A retração mais expressiva atingiu a marcação de consultas médicas especializadas, cujo prazo médio despencou 74,2% nas centrais reguladoras.

A política de financiamento via Tabela SUS Paulista viabilizou essa escalada produtiva nos centros cirúrgicos. Ao remunerar hospitais filantrópicos e santas casas com valores superiores aos da tabela federal, o governo garantiu a realização de cirurgias de grande porte que antes aguardavam autorização por meses.

Internações de alta complexidade avançam no interior

Internações de alta complexidade disparam 35% em SP
Internações em São Paulo – (Foto: Reprodução)

A descentralização dos atendimentos alterou a dinâmica das viagens sanitárias rumo à capital. Das 19 regiões de saúde avaliadas pelo levantamento, 18 acusaram crescimento contínuo na realização desses procedimentos avançados, garantindo que o paciente receba suporte médico especializado perto de onde mora:

  • A neurocirurgia hospitalar teve o salto mais expressivo do período, subindo 91%;
  • Procedimentos ortopédicos de grande porte avançaram 49,2% nas unidades regionais;
  • Cirurgias oncológicas registraram expansão de 43,3% na rede credenciada;
  • Intervenções cirúrgicas do aparelho circulatório tiveram aumento de 33,7%.

A distância média percorrida pelos usuários para garantir internações de alta complexidade caiu 4,4%, descendo de 30,12 para 28,80 quilômetros. Nos procedimentos ambulatoriais especializados, a redução no trajeto rodoviário bateu 5,1%, aliviando o desgaste físico das famílias que enfrentavam viagens cansativas pela malha rodoviária.

“A revisão e a qualificação dos cadastros de regulação foram fundamentais para reduzir o tempo de espera. Esse processo permitiu identificar pacientes que já haviam recebido atendimento, falecidos ou que não foram localizados, tornando a gestão das filas mais precisa.”

— João Gabbardo dos Reis, consultor técnico da OPAS.

O encurtamento do tempo de espera transformou a rotina dos agendamentos eletivos. O prazo médio para a realização de um exame diagnóstico desceu de 421 para 170 dias, enquanto o tempo de espera para cirurgias eletivas caiu de 447 para 213 dias, demonstrando capacidade de resposta operacional mais ágil das equipes médicas.

Exames de imagem e suporte oncológico em alta

O parque de diagnóstico por imagem operou em capacidade máxima para acompanhar o ritmo dos blocos cirúrgicos. O volume de ressonâncias magnéticas cresceu 54% na comparação direta com 2022, enquanto as tomografias computadorizadas registraram alta de 50,7% nos ambulatórios estaduais.

Os tratamentos contínuos de suporte à vida também ganharam escala expressiva em todo o território estadual:

  • Sessões de radioterapia avançaram 38,1% na assistência oncológica;
  • Ciclos de quimioterapia aumentaram 28,7% na cobertura hospitalar;
  • Procedimentos de cateterismo cardíaco cresceram 38,6% nos centros de hemodinâmica.

Essa retaguarda diagnóstica rápida impede que enfermidades silenciosas evoluam para quadros clínicos irreversíveis. Pacientes com suspeita de tumores ou doenças cardiovasculares realizam a triagem com menor intervalo de espera, aumentando as chances de cura e reduzindo a permanência em leitos hospitalares.

Saúde digital integra prontuários na rede estadual

A tecnologia tornou-se peça central para evitar desperdício de recursos e duplicidade de exames no SUS paulista. A coordenadora de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos da SES-SP, Roberta Rubia, demonstrou os avanços do programa Saúde Digital Paulista, que já atende 157 cidades e 212 unidades operacionais, alcançando 2,5 milhões de cidadãos.

A construção do Histórico Clínico Digital, desenhado em cooperação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), unificará os prontuários eletrônicos de laboratórios, ambulatórios e enfermarias. O médico assistente acessará o histórico do paciente em tempo real, agilizando diagnósticos de urgência mesmo que o primeiro atendimento tenha ocorrido em outro município paulista.

O plano plurianual até 2030 prevê intensificar o uso de inteligência preditiva e análise de dados para mapear gargalos assistenciais antes do colapso das alas de emergência. A ampliação coordenada dos serviços digitais consolida as internações de alta complexidade como um serviço mais ágil, humano e descentralizado em São Paulo.

Leonardo Nogueira

  • Publicado: 04/11/2026 20:01
  • Alterado: 04/11/2026 20:01
  • Autor: Leonardo Nogueira