Infarto: saiba identificar os primeiros sinais de alerta
Infarto pode apresentar sintomas diferentes em mulheres e homens. Especialista explica os sinais e quando buscar atendimento imediato
- Publicado: 22/07/2026 15:16
- Alterado: 22/07/2026 15:16
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Hospitais São Camilo de São Paulo
A dor no peito permanece como o sintoma mais frequente do infarto, tanto em homens quanto em mulheres. No entanto, entre o público feminino, a manifestação da condição costuma vir acompanhada de sinais menos evidentes, como fadiga intensa, náuseas, falta de ar, tontura e dores nas costas, no pescoço, na mandíbula ou no abdômen. Essa diferença pode dificultar a identificação do problema e retardar o início do tratamento.
O alerta ganha ainda mais importância diante dos números da Organização Mundial da Saúde (OMS), que estima cerca de 8,5 milhões de mortes de mulheres por doenças cardiovasculares todos os anos. O cenário reforça a necessidade de reconhecer precocemente os sintomas e buscar assistência médica sem demora.
Segundo o cardiologista Daniel Marotta, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, muitas pessoas interpretam os primeiros sinais como consequências do estresse, do cansaço, da ansiedade ou até de problemas digestivos, adiando a procura por atendimento.
De acordo com o especialista, as mulheres nem sempre apresentam o quadro clássico descrito nos livros de medicina, o que favorece atrasos no diagnóstico. Entre os homens, por outro lado, é comum que os sintomas sejam minimizados, levando muitos pacientes a demorarem para procurar ajuda.
As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de morte no Brasil. Dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) apontam que aproximadamente 400 mil brasileiros perdem a vida todos os anos em decorrência dessas enfermidades.
Infarto pode dar sinais antes da emergência
Marotta explica que um episódio cardíaco nem sempre começa com uma dor intensa no peito. Em muitos casos, o organismo apresenta manifestações horas, dias ou até semanas antes da ocorrência do evento mais grave. Quando esses sintomas persistem ou surgem de forma incomum, especialmente em pessoas que possuem fatores de risco, a recomendação é procurar avaliação médica imediatamente.
Entre os principais sinais estão dor, aperto ou sensação de peso na região do tórax, com possibilidade de irradiação para braços, ombros, pescoço, costas ou mandíbula. A falta de ar, mesmo durante esforços leves ou em repouso, também merece atenção, sobretudo quando aparece de maneira repentina.
Homens e mulheres apresentam manifestações diferentes
Embora a dor no peito seja frequente em ambos os sexos, existem diferenças importantes na forma como os sintomas costumam surgir.
Nos homens, os sinais mais comuns são:
- Dor ou pressão intensa no peito;
- Dor irradiada para o braço esquerdo, ombros, pescoço ou mandíbula;
- Falta de ar;
- Suor frio;
- Náuseas;
- Sensação de desmaio.
Nas mulheres, é mais comum ocorrer:
- Dor no peito, geralmente menos intensa;
- Falta de ar;
- Cansaço extremo sem motivo aparente;
- Náuseas e vômitos;
- Tontura;
- Dor nas costas, pescoço, ombros ou mandíbula;
- Sensação de indigestão ou desconforto abdominal.
Prevenção reduz o risco de infarto
O cardiologista destaca que sintomas discretos também podem indicar um problema cardíaco em desenvolvimento. Fraqueza repentina, suor frio, tontura, náuseas, desconforto na parte superior do abdômen e um cansaço incomum durante atividades rotineiras não devem ser ignorados, principalmente por pessoas com hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo ou histórico familiar de doenças cardiovasculares.
Situações como dor ou pressão prolongada no peito, dificuldade para respirar, suor frio, desmaio ou mal-estar intenso, especialmente quando esses sinais aparecem ao mesmo tempo, exigem atendimento médico de urgência.
Além da identificação precoce dos sintomas, a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz para proteger o coração. Controlar a pressão arterial, os níveis de colesterol e glicemia, manter uma rotina de atividades físicas, evitar o cigarro e realizar consultas médicas periódicas são medidas fundamentais para diminuir o risco de infarto e preservar a saúde cardiovascular.