IA e redes sociais moldam consciência de jovens no Brasil
Pesquisa mostra que 89% dos adolescentes usam redes sociais e 59% utilizam IA, acendendo o alerta de especialistas
- Publicado: 04/06/2026 11:13
- Alterado: 05/06/2026 13:45
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
A formação da consciência democrática e o desenvolvimento do pensamento crítico de crianças e adolescentes estão sendo profundamente reconfigurados pelo avanço dos algoritmos. De acordo com dados da recente Pesquisa TIC Kids Online Brasil, divulgada pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), ferramentas de Inteligência Artificial (IA) generativa já fazem parte da rotina de estudos de 59% dos internautas de 9 a 17 anos no país, enquanto 42% utilizam a tecnologia para buscas gerais e 21% para a criação de conteúdos autorais.
Especialistas apontam que o cenário exige atenção pedagógica e familiar, uma vez que o consumo de telas avança rapidamente conforme a idade. No segmento das redes sociais, a participação salta de 33% entre crianças de 9 a 10 anos para expressivos 89% na faixa dos 13 aos 17 anos. O estudo coletou depoimentos de 2.370 menores de idade e de seus respectivos responsáveis em todo o território nacional.
Dependência Cognitiva e Bolhas Algorítmicas

Um dos pontos mais sensíveis revelados pelo levantamento aponta que 10% dos jovens entrevistados utilizam a IA generativa para desabafar sobre emoções ou buscar direcionamento para problemas pessoais. A psicopedagoga Patrícia Espíndola De Lima Teixeira, coordenadora do Observatório Juventudes PUCRS/Rede Marista, adverte que delegar decisões íntimas a sistemas automatizados gera riscos ao amadurecimento relacional e à autonomia de pensamento.
O Viés de Confirmação: “O algoritmo tende a oferecer ao jovem conteúdos alinhados às suas expectativas, o que limita a capacidade de lidar com o contraditório. Isso fragiliza a consciência crítica e empática, que são bases fundamentais do debate democrático”, explica Patrícia, destacando o perigo do isolamento em bolhas digitais.
Para contrapor essa dependência cognitiva, a pesquisadora defende o fortalecimento de referenciais no mundo físico e o resgate de debates práticos sobre o bem comum, os direitos humanos e a memória histórica dentro das salas de aula e nos núcleos familiares.
Alfabetização Digital e Combate a Boatos

Além do impacto comportamental, a avalanche de conteúdos gerados por inteligência artificial tensiona os mecanismos tradicionais de validação de fatos. A necessidade de estruturar uma alfabetização digital robusta nas escolas é vista como urgente para mitigar a replicação em massa de desinformação.
Graciele Silva de Matos, assessora de políticas sociais da Área de Solidariedade da Rede Marista, listou diretrizes essenciais de checagem que devem ser incentivadas entre o público infantojuvenil:
- Investigação da autoria: Pesquisar a formação, a credibilidade e o histórico profissional de quem assina a informação;
- Análise do contexto: Identificar a plataforma de origem e desconfiar de mensagens alarmistas encaminhadas em massa por aplicativos de conversas;
- Verificação de temporalidade: Avaliar a data original de publicação para impedir que notícias antigas e superadas sejam usadas para causar pânico;
- Uso de agências especializadas: Recorrer a plataformas profissionais de fact-checking para o desmonte de boatos na internet brasileira.