82% dos brasileiros se preocupam com impacto da IA nos empregos
Pesquisa revela que estabilidade da carteira assinada lidera preferências no país, enquanto a Geração Z foca em buscar cargos de liderança.
- Publicado: 23/09/2026 14:43
- Alterado: 23/09/2026 14:43
- Autor: Thiago Antunes
O mercado de trabalho brasileiro atravessa um período de intensas transformações tecnológicas, mas os profissionais mantêm o foco em garantias tradicionais na hora de escolher ou manter um emprego. Um levantamento do instituto Ipsos-Ipec, encomendado pelo jornal Estadão, mapeou as prioridades da população ativa e identificou a centralidade do contracheque frente às incertezas digitais.
O estudo ouviu 2.000 pessoas em todas as regiões do país, entregando um raio-x das expectativas profissionais atuais. A pesquisa possui margem de erro máxima de dois pontos percentuais e expõe um verdadeiro choque de gerações nas ambições corporativas.
O peso do salário no mercado de trabalho atual
O dinheiro fala mais alto na hora de atrair e reter talentos corporativos. Os dados mostram que 32% dos entrevistados apontam a remuneração, incluindo benefícios, como o principal critério para a tomada de decisão profissional. A busca por garantias financeiras supera até mesmo a qualidade de vida.
| Critérios de Permanência e Escolha | Percentual de Menções |
| Remuneração (salário e benefícios) | 32% |
| Estabilidade e segurança | 18% |
| Crescimento profissional | 16% |
| Equilíbrio entre vida pessoal e trabalho | 7% |
| Reconhecimento e valorização | 7% |
A preferência pelo vínculo formal segue a mesma lógica de previsibilidade no mercado de trabalho. O levantamento indica que 39% dos brasileiros consideram a carteira assinada (CLT) o formato mais atraente, considerando propostas financeiras equivalentes. O modelo autônomo atrai apenas 27% da população, possuindo maior aderência justamente entre os profissionais mais jovens.
Inteligência artificial assombra o mercado de trabalho
A rápida adoção de novas tecnologias pelas empresas gera apreensão generalizada entre os trabalhadores. O estudo destaca que 82% dos brasileiros acreditam que as pessoas deveriam se preocupar com a substituição de ocupações pela IA. Apenas uma minoria de 17% minimiza os impactos diretos da tecnologia nas profissões.
Geração Z mira o topo corporativo
As ambições de carreira variam drasticamente conforme a faixa etária da população. Os dados revelam que 60% dos jovens da Geração Z manifestam forte interesse em assumir cargos de liderança. O apetite pelo comando diminui progressivamente nas gerações anteriores:
- Geração Z: 60% desejam liderar equipes.
- Millennials: 48% miram cargos de gestão.
- Geração X: 38% buscam posições de chefia.
- Baby Boomers: 29% demonstram interesse na liderança.
Na ponta oposta, 61% das pessoas com apenas o ensino fundamental declaram pouco ou nenhum interesse na liderança, índice que se repete quase integralmente nas classes D e E. A escolaridade também reforça a percepção de empregabilidade da base trabalhadora. Uma fatia expressiva de 63% dos entrevistados afirma que a formação universitária influencia muito nas chances de conseguir uma vaga.
“Os resultados mostram que, mesmo diante das transformações trazidas pela inteligência artificial, os brasileiros seguem valorizando fatores tradicionais. A elevada preocupação com a substituição de ocupações pela tecnologia indica que a população acompanha com atenção as mudanças”, avaliou Márcia Cavallari, Diretora Geral da Ipsos-Ipec.
A qualificação acadêmica rigorosa, aliada ao formato de contratação seguro, continua moldando o cenário profissional do país. Os números consolidam a visão de que a estabilidade estrutural e as ambições salariais ainda movem as principais engrenagens do mercado de trabalho.