Hezbollah rejeita acordo entre Líbano e Israel e alerta para nova escalada

Grupo classificou pacto mediado pelos Estados Unidos como rendição, enquanto Israel condiciona retirada do sul do Líbano ao desarmamento do Hezbollah

Crédito: Reprodução/Tasnim

O líder do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou o acordo de paz entre Líbano e Israel mediado pelos Estados Unidos e classificou o documento como uma rendição humilhante. O pacto tenta encerrar décadas de conflito, mas a tensão na região segue elevada após novos ataques envolvendo Israel, Irã e forças americanas.

Hezbollah chama acordo de rendição

O plano prevê uma retirada gradual das forças israelenses do sul do Líbano e o destacamento do Exército libanês na região. A medida, porém, está condicionada ao desarmamento de grupos não estatais, principalmente o Hezbollah.

Naim Qassem afirmou que o acordo assinado na sexta-feira (26) é nulo e sem efeito. O líder do Hezbollah acusou o governo libanês de fazer concessões unilaterais que, segundo ele, legitimam a presença militar de Israel no território libanês por muitos anos.

Israel condiciona retirada ao desarmamento

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que suas tropas vão continuar no sul do Líbano. Segundo ele, a retirada total só ocorrerá quando o Hezbollah for completamente desarmado.

O presidente do Líbano, Joseph Aoun, defendeu o pacto como um avanço importante. Para o mandatário, o acordo representa um primeiro passo para recuperar a soberania do país sem subordinação estrangeira. Deputados ligados ao Hezbollah, no entanto, alertaram que tentar forçar o desarmamento pode levar o Líbano a uma guerra civil.

Hostilidades continuam na região

Apesar do anúncio do acordo, as hostilidades continuaram neste sábado (27). Um drone israelense realizou um ataque aéreo no sul do Líbano, enquanto o Bahrein acusou o Irã de lançar drones contra seu território.

Os Estados Unidos e o Irã também trocaram ataques militares e se acusam de violar o cessar-fogo provisório. Caças americanos bombardearam depósitos de mísseis iranianos na sexta-feira, e a Guarda Revolucionária de Teerã retaliou contra posições dos EUA no Golfo.

Estreito de Ormuz entra em alerta

Um petroleiro foi atingido por um projétil no Estreito de Ormuz em meio à escalada de violência. O Irã tenta retomar o controle da rota marítima e acusa Washington de descumprir o pacto ao apoiar Israel.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, ameaçou usar “grande força” contra o governo iraniano. Katz alertou que o país agirá duramente caso Teerã tente atrapalhar o acordo recém-firmado com o Líbano.

Já o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que a violência será respondida com violência. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, elogiou o acordo e pediu o desarmamento de grupos armados.

  • Publicado: 27/06/2026 15:17
  • Alterado: 27/06/2026 15:17
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: FolhaPress