Hamas anuncia saída do governo de Gaza após quase duas décadas
O Hamas anunciou a dissolução do órgão que administrava a Faixa de Gaza desde 2007, abrindo espaço para um comitê tecnocrático assumir a gestão civil do território.
- Publicado: 06/07/2026 11:51
- Alterado: 06/07/2026 11:51
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: FolhaPress
O grupo terrorista Hamas anunciou a dissolução imediata do órgão responsável por governar a Faixa de Gaza durante as últimas duas décadas. A saída estratégica permite que um comitê tecnocrático palestino assuma a administração civil do território de forma definitiva.
O chefe da administração local, Mohammed al-Farra, oficializou sua renúncia na manhã desta segunda-feira (6). O diretor-geral do escritório de mídia em Gaza, Ismail Thawabta, comunicou a decisão à imprensa e detalhou os próximos passos da transição política.
Fim do governo do Hamas e pressão internacional
A mudança administrativa busca mitigar a crise humanitária agravada pela guerra. Apenas funcionários técnicos manterão seus cargos atuais para impedir um colapso total dos serviços públicos essenciais oferecidos à população palestina.
“A medida foi tomada para aliviar o sofrimento resultante da guerra em curso, o atraso na reconstrução e o cerco contínuo”, explicou Thawabta.
O porta-voz do Hamas, Hazem Qassem, confirmou o compromisso da organização em transferir todas as responsabilidades governamentais. A manobra tenta eliminar justificativas para intervenções militares contínuas na região.
Controle de armas e posição dos Estados Unidos
O Conselho de Paz criado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endossou a reestruturação política. O órgão diplomático americano exige o monopólio da força bélica sob a tutela da nova gestão técnica.
O comitê encarregado deve concentrar o arsenal disponível. O Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG) atuará como a única força legalizada no enclave costeiro.
“O princípio fundamental continua sendo uma única autoridade, uma única lei e uma única arma”, informou o conselho em nota oficial divulgada na rede social X.
Impasses na segunda fase do acordo com Israel
Analistas políticos enxergam a movimentação governamental com ceticismo. O cientista político Mkhaimar Abusada classifica a renúncia do Hamas como uma ação estritamente simbólica diante das pressões globais.
“O problema não é a dissolução do seu comitê governamental, e sim a aceitação de seu desarmamento”, avaliou Abusada.
A transição para a segunda fase do acordo de pacificação, estabelecido em outubro de 2025, encontra barreiras diplomáticas severas. Israel descarta o retorno da organização islâmica ao poder e rejeita a influência direta da Autoridade Palestina no território.
Confrontos esporádicos continuam vitimando civis no sul e na Cidade de Gaza. Autoridades locais registraram 1.072 mortes e 3.463 feridos desde o início da trégua oficial, elevando o total de vítimas para 73.098 óbitos desde outubro de 2023.
O futuro político da região depende agora do sucesso do comitê tecnocrático e do avanço nas negociações bilaterais. A comunidade internacional aguarda as próximas ações do Hamas para destravar a reconstrução civil e o desarmamento efetivo.