Haddad defende convergência entre PT e PSDB em Osasco
Em caminhada com Marina Silva, Haddad resgata histórico de frentes democráticas e ataca a extrema-direita
- Publicado: 29/08/2026 16:31
- Alterado: 29/08/2026 16:31
- Autor: Daniela Ferreira
Em agenda de campanha no município de Osasco, o candidato do PT ao Governo do Estado de São Paulo, Fernando Haddad, voltou a defender na manhã deste sábado (29), a existência de pilares institucionais compartilhados entre o PT e o PSDB. A declaração do postulante ocorreu no dia seguinte à reunião promovida ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin na capital paulista, na qual um grupo de ex-secretários de gestões tucanas formalizou apoio ao seu projeto ao Palácio dos Bandeirantes.
Acompanhado pela ex-ministra e candidata ao Senado Marina Silva (Rede), Haddad percorreu o trecho do Viaduto Metálico (Ponte Metálica), símbolo da região central osasquense, onde dialogou com eleitores e militantes antes de conceder entrevista coletiva.
Frentes Amplas na História Política Paulista
Ao responder sobre a adesão de quadros históricos do PSDB à sua chapa, o candidato sustentou que a articulação entre as duas forças partidárias não se trata de um movimento inédito na política brasileira, reeditando frentes democráticas formadas nas últimas décadas.

Para fundamentar a aproximação, o candidato relembrou quatro momentos de articulação entre os partidos desde o processo de redemocratização:
- Mobilização de 1989: Articulação do campo progressista no segundo turno da eleição presidencial frente à candidatura de Fernando Collor;
- Suporte em 1998: Apoio conferido pelo PT à campanha de reeleição de Mário Covas (PSDB) no Governo de São Paulo;
- Eleições Paulistanas de 2000: Diálogo com setores tucanos durante o pleito que culminou na vitória de Marta Suplicy na capital;
- Frente Ampla de 2022: Construção da coligação em defesa das instituições democráticas contra o projeto de reeleição de Jair Bolsonaro.
Defesa da Democracia e Enfrentamento Eleitoral

De acordo com Haddad, embora existam diferenças profundas no campo econômico e programático, o alinhamento com lideranças tucanas fortalece a proteção às garantias constitucionais e aos direitos sociais:
“O que eu quis dizer ontem é que PT e PSDB têm divergências programáticas, mas têm um solo comum, muito fértil, muito sólido, que é a soberania nacional, da redemocratização do país, dos direitos humanos, do combate à intolerância, do combate ao racismo, da proteção às mulheres”, ponderou o candidato.
O postulante ao Palácio dos Bandeirantes acrescentou que a aliança entre correntes historicamente adversárias ganha centralidade diante de ameaças ao patrimônio público e à prestação de serviços essenciais:
“Nós temos um solo comum. Então, quando a gente vê a extrema-direita, só com base em mentiras, entregar um serviço tão ruim para a sociedade como está acontecendo no Brasil, a gente se une, porque tem uma coisa que é superior às nossas divergências, que são os nossos princípios e os nossos valores. Isso tem que ser consignado, porque não é que agora, desde 1989 que isso acontece, quando esses valores estão ameaçados, o campo progressista se une”, declarou Haddad.