Greve de ônibus afeta 267 mil passageiros em SP

Paralisação de trabalhadores da antiga Transwolff atinge 34 linhas na zona sul da capital; categoria cobra esclarecimentos sobre depósitos e direitos trabalhistas

Greve de ônibus afeta 267 mil passageiros em SP

Crédito: (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Uma paralisação de motoristas e cobradores ligados à antiga operadora Transwolff compromete o transporte coletivo na zona sul de São Paulo nesta segunda-feira (19). A greve de ônibus afeta 34 linhas e pode prejudicar o deslocamento de aproximadamente 267 mil passageiros, segundo estimativa divulgada pela Prefeitura de São Paulo.

O movimento ocorre após o encerramento do contrato da empresa com o município. Os trabalhadores exigem informações e documentos que comprovem a situação de obrigações trabalhistas, especialmente os recolhimentos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e das contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A categoria também busca esclarecimentos sobre outros benefícios e direitos relacionados à mudança na operação das linhas.

A Transwolff teve seu contrato encerrado pela administração do prefeito Ricardo Nunes (MDB) em meio a suspeitas de envolvimento da empresa com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Desde então, os serviços anteriormente prestados pela concessionária passaram à responsabilidade da São Paulo Transporte (SPTrans), que afirma manter em dia as obrigações com os funcionários.

Prefeitura aciona plano emergencial de transporte

Greve de Ônibus
(Divulgação/SPTrans)

A greve de ônibus atingiu duas garagens utilizadas na operação das linhas da antiga Transwolff. Diante da interrupção dos serviços, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte informou ter solicitado reforço policial para os locais e colocado em funcionamento o Plano de Apoio entre Empresas em Situação de Emergência (Paese).

O Paese é um mecanismo utilizado para reduzir os impactos de interrupções no transporte público, com o apoio de outras operadoras. A medida busca oferecer alternativas aos passageiros enquanto a circulação regular dos ônibus permanece comprometida.

A prefeitura também questionou a forma como a greve de ônibus foi iniciada. Segundo a administração municipal, os trabalhadores não cumpriram a exigência legal de comunicação antecipada de 72 horas aos usuários do transporte coletivo. A informação foi divulgada em manifestação conjunta da secretaria responsável pela mobilidade e da SPTrans.

A paralisação ocorre no início da semana, período de intensa circulação de passageiros que dependem das linhas da zona sul para chegar ao trabalho, às escolas e a outros compromissos. Até o momento das informações divulgadas, não havia previsão confirmada para a normalização integral do serviço.

SPTrans afirma que recolhimentos estão em dia

SPTrans amplia horário de operação da linha 8500/10 aos domingos - Greve de Ônibus
(Divulgação)

A SPTrans contesta a possibilidade de haver pendências nos pagamentos sob sua responsabilidade. De acordo com a empresa municipal, salários e benefícios dos trabalhadores estão regularizados, enquanto os valores correspondentes ao FGTS e ao INSS são depositados judicialmente.

O procedimento, segundo a companhia, depende de uma definição da Justiça sobre a destinação dos recursos. Dessa forma, embora a SPTrans declare que os recolhimentos estejam sendo realizados integralmente, a situação dos depósitos permanece vinculada a uma decisão judicial.

Outra questão envolve a assistência médica dos funcionários. A SPTrans informou que está conduzindo uma licitação para contratar uma operadora de plano de saúde. Enquanto a contratação não é concluída, os empregados recebem uma compensação financeira prevista em acordo coletivo.

A administração municipal sustenta que essa compensação não era respeitada pela antiga concessionária. A afirmação integra a resposta da SPTrans às reivindicações dos trabalhadores, que pedem acesso à documentação referente aos direitos trabalhistas após a mudança de gestão.

Rompimento do contrato antecedeu greve de ônibus

A interrupção do serviço ocorre em um contexto de mudanças na operação do transporte coletivo da zona sul. O rompimento contratual com a Transwolff foi motivado por suspeitas de ligação da empresa com o crime organizado, que passaram a ser investigadas pelas autoridades.

Com a saída da concessionária, a SPTrans assumiu a administração e a operação das linhas anteriormente vinculadas à empresa. A transição, no entanto, não encerrou os questionamentos dos funcionários sobre o cumprimento e a comprovação das obrigações trabalhistas.

A greve desta segunda-feira coloca essas pendências no centro da discussão entre trabalhadores e poder público. Enquanto a categoria cobra documentos sobre os recolhimentos, a prefeitura afirma que os valores estão sendo depositados e mantém medidas emergenciais para reduzir os transtornos aos usuários.

Edvaldo Barone

  • Publicado: 19/10/2026 07:30
  • Alterado: 19/10/2026 07:32
  • Autor: Edvaldo Barone