Grande SP registra menor número de roubos desde 2021
Seccional registra menor índice desde 2021, mas especialistas alertam para subnotificação de furtos e migração de quadrilhas para fraudes digitais
- Publicado: 01/11/2026 11:43
- Alterado: 01/11/2026 12:11
- Autor: Carlos Enriki
A Grande São Paulo registrou os menores índices de roubos em geral, roubos de veículos e roubos de carga desde 2021, entre janeiro e setembro de 2026. Os dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-SP) mostram redução nos principais indicadores de criminalidade em comparação com o mesmo período de 2025.
Os roubos em geral caíram 21%, passando de 28.957 para 22.855 ocorrências. A diferença representa 6.102 registros a menos. Somente em setembro, foram contabilizados 2.271 casos, contra 2.902 no mesmo mês do ano anterior, uma redução de 21,7%.
Roubos de veículos e de carga também diminuem
Os roubos de veículos apresentaram queda de 35,2% no acumulado de janeiro a setembro. Os registros passaram de 6.959, em 2025, para 4.503 em 2026, o menor número da série histórica da SSP-SP.
Em setembro, foram 464 ocorrências, ante 747 no mesmo mês do ano passado.

Já os roubos de carga diminuíram 31,9% nos nove primeiros meses do ano, passando de 887 para 604 registros. Em setembro, a redução foi de 48,6%, com 56 ocorrências, contra 109 em 2025.
O resultado de setembro representa o segundo menor número da série histórica para o mês, atrás apenas de 2002, quando foram registrados 55 casos.
Furtos apresentam redução na Grande São Paulo
Os indicadores de furtos também tiveram queda na região. Entre janeiro e setembro, as ocorrências passaram de 63.453 para 59.941, uma redução de 5,5%, equivalente a 3.512 registros a menos.
Em setembro, foram contabilizados 6.289 furtos, contra 7.210 no mesmo mês de 2025. A queda foi de 12,8%, alcançando o menor patamar desde 2022.
Os furtos de veículos diminuíram 13,9% no acumulado do ano, passando de 16.692 para 14.363 ocorrências. O resultado é o menor desde 2021. Em setembro, foram registrados 1.760 casos, ante 1.805 no mesmo período do ano anterior, redução de 2,5%.
Prisões e apreensões crescem 7%
Além da redução dos indicadores criminais, as forças de segurança ampliaram as ações de combate à criminalidade. Entre janeiro e setembro, 25.765 pessoas foram presas ou apreendidas na Grande São Paulo, aumento de 7% em relação às 24.068 registradas no mesmo período de 2025.
O total é o maior desde 2020. No mesmo intervalo, as operações policiais resultaram na apreensão de 1.500 armas, na recuperação de 7.317 veículos e na apreensão de 17,2 toneladas de drogas.

O secretário de Estado da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, atribuiu os resultados ao fortalecimento das ações de prevenção, à integração entre as forças policiais e ao uso de tecnologia no combate aos crimes.
“Nosso objetivo é interromper esse ciclo e garantir que a população tenha mais tranquilidade e segurança no dia a dia”, afirmou.
Por que a sensação de insegurança continua alta?
Apesar da retração estatística celebrada pelo Estado, especialistas apontam que a realidade nas ruas apresenta contornos mais complexos. Um dos fatores é a alta subnotificação em casos de furto simples — especialmente de celulares em via pública ou no transporte coletivo. Sem seguro, muitas vítimas deixam de registrar o Boletim de Ocorrência por acreditarem que não recuperarão o aparelho, o que contribui para puxar a estatística oficial artificialmente para baixo.

Além disso, entidades como o Fórum Brasileiro de Segurança Pública vêm alertando para a mudança de perfil da criminalidade. A redução de abordagens violentas (roubos tradicionais) muitas vezes ocorre em paralelo à migração de quadrilhas para os crimes patrimoniais de oportunidade e para as fraudes digitais estruturadas, como os golpes via Pix e o roubo de dados após o furto de aparelhos desbloqueados.
ABC Paulista integra levantamento
A Grande São Paulo é formada por 38 municípios, incluindo Guarulhos, Osasco e as sete cidades do ABC Paulista: Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.
Os dados apresentados pela SSP-SP correspondem ao conjunto da região metropolitana. O levantamento divulgado não detalha, nesse recorte, os índices individuais de cada município.
No entanto, a região metropolitana — que sofre forte influência do fluxo diário de moradores do ABC para a capital — registra um gargalo histórico no efetivo das polícias.
O aumento de 7% nas prisões e apreensões reflete uma intensificação no patrulhamento nas vias expressas e áreas centrais. Contudo, a descentralização do policiamento nas áreas de divisa entre os municípios de São Bernardo do Campo, Santo André e Diadema continua sendo o principal desafio para que essa queda percentual da SSP seja efetivamente sentida nos bairros mais periféricos.