Governo Federal reforça ações contra o El Niño

Governo Federal conclui ciclo de reuniões sobre o El Niño e apresenta plano com investimentos em infraestrutura e saúde para o Sudeste

Governo Federal reforça ações contra o El Niño

Crédito: Gustavo Gloria/MS

O Governo Federal encerrou o ciclo de reuniões regionais dos “Diálogos Federativos – Emergências Climáticas 2026/2027” com o foco voltado para os fortes impactos previstos do fenômeno El Niño. Durante o encontro virtual com gestores da Região Sudeste, autoridades federais apresentaram medidas preventivas e orientações estratégicas para enfrentar o período crítico de seca e altas temperaturas, com provável intensidade máxima de 2,7°C até o final do ano.

A coordenação da reunião foi conduzida pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, ao lado de representantes do Meio Ambiente, Integração Regional e Relações Institucionais. Conforme os dados apresentados, a tendência é do agravamento de secas prolongadas, atraso na chegada do período chuvoso e riscos elevados de incêndios e ondas de calor.

Previsão do clima e reflexos no Sudeste

Os relatórios técnicos indicam um cenário preocupante para o Sudeste entre os meses de setembro e dezembro. O avanço do El Niño deve provocar estiagens severas, afetando diretamente as lavouras de cana-de-açúcar, citros e pastagens, além de comprometer a recarga de água no solo.

“A preparação para os possíveis impactos do fenômeno exige uma atuação integrada, com monitoramento permanente e apoio direto aos governos estaduais e prefeituras”, ressaltou a liderança da Casa Civil durante a apresentação dos protocolos federais.

Outro ponto de atenção é o impacto direto na saúde humana, demandando da rede pública ações específicas para atenuar as consequências das altas temperaturas e da exposição prolongada à fumaça de eventuais queimadas.

Investimentos em segurança hídrica e prevenção

Para mitigar os danos associados ao El Niño, o Novo PAC destina R$ 208 milhões para a segurança hídrica na Região Sudeste. Os recursos contemplam a instalação de cisternas, abastecimento rural e suporte a comunidades vulneráveis.

Entre as obras de infraestrutura, destaca-se a adaptação do canal navegável da Hidrovia do Rio Tietê, em São Paulo, projetada para evitar paralisações no transporte de cargas nos momentos de seca extrema provocado pelo El Niño.

Na prevenção de desastres provocados por tempestades e erosões que costumam suceder longos períodos de estiagem provocados pelo El Niño, o investimento totaliza R$ 8,7 bilhões para obras de contenção de encostas e drenagem urbana distribuídos entre São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo.

Ampliação do monitoramento e rede de saúde

A estrutura de alertas meteorológicos e de monitoramento de desastres passou por forte expansão para prever com antecedência os desdobramentos causados pelo El Niño:

  • Rede do INMET: Expansão expressiva das estações meteorológicas digitais, saltando de 7 unidades em 2023 para 243 em 2026.
  • Cemaden: Cobertura ampliada para 434 municípios equipados com pluviômetros no território nacional.
  • Saúde pública: Implantação do Centro de Informação em Saúde e Clima (CISC), sediado em Belo Horizonte, e descentralização da Força Nacional do SUS com nova base no Rio de Janeiro.

O plano integrado orienta que estados e municípios elaborem planos municipais de contingência, mapeiem pontos críticos e mantenham equipes locais de pronta resposta ativas durante todo o ciclo de intensidade do El Niño.

Gabriel de Jesus

  • Publicado: 02/09/2026 14:46
  • Alterado: 02/09/2026 15:32
  • Autor: Gabriel de Jesus