Governo decreta asfixia financeira contra bets ilegais
O novo decreto do governo autoriza o confisco de bens e o bloqueio de contas bancárias de bets não autorizadas
- Publicado: 20/06/2026 15:15
- Alterado: 20/06/2026 15:15
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Governo Federal
O Governo Federal oficializou um novo cerco ao mercado clandestino de jogos de azar. Em decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (19), o Executivo regulamentou instrumentos de asfixia econômica para congelar ativos e interromper fluxos bancários de plataformas que operam sem licença. A medida, porém, joga luz sobre um cenário complexo: a dificuldade crônica do Estado em fiscalizar e conter um setor bilionário que ele mesmo legalizou.
Embora o mercado de apostas de quota fixa seja regulamentado no Brasil, a proliferação de operadoras piratas corre em ritmo veloz, desafiando a estrutura de controle estatal. A nova ofensiva jurídica baseia-se nos moldes de combate ao crime organizado e foi viabilizada após a aprovação da Lei Antifacção pelo Congresso Nacional. A principal aposta do texto é o dispositivo de “perdimento de bens”, que autoriza o confisco definitivo do patrimônio financeiro dessas bancas irregulares.
A Engrenagem de Bloqueio e o Desafio da Agilidade

O fluxo de sanção administrativa desenhado pelo decreto exige uma coordenação minuciosa entre três ministérios e o Banco Central, gerando dúvidas no mercado sobre a eficácia prática de sua velocidade:
- Rastreamento: A Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda emite um auto de constatação ao identificar um operador ilegal;
- Bloqueio Técnico: Após a notificação, os bancos e as instituições de pagamento têm o prazo de 24 horas para congelar o saldo das contas e barrar novas transferências. O Banco Central fica responsável por monitorar o cumprimento da ordem;
- Destinação dos Recursos: A Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) conduz o processo administrativo. Caso a ilegalidade seja ratificada ao fim do rito, os valores confiscados serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP).
Apesar de o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defender que a medida “atinge o centro econômico das atividades ilícitas”, especialistas apontam que a volatilidade das transações digitais e o uso de criptoativos e laranjas frequentemente deixam o Estado um passo atrás dos operadores clandestinos.
Números Altos, Soluções Tardias?
Os dados divulgados pela SPA revelam a magnitude de um problema que se expandiu à sombra da própria legalização do jogo:
- Derrubada de Sites: Desde outubro de 2024, mais de 50 mil domínios da internet e 190 aplicativos foram retirados do ar por atuação irregular;
- Ofensiva Publicitária: Foram deletados 780 perfis e 306 publicações em redes sociais que promoviam sites piratas, expondo a fragilidade do controle sobre a publicidade digital;
- Alerta Social: A Plataforma Centralizada de Autoexclusão, lançada em dezembro de 2025 para mitigar os impactos da dependência em jogos, já acumula mais de 650 mil pedidos de cidadãos que solicitaram o bloqueio voluntário do próprio CPF de todas as bets legalizadas do país — um indicador alarmante dos reflexos sociais da própria atividade regulamentada.
O decreto tenta corrigir distorções em um mercado que se expandiu de forma agressiva nos últimos anos. Resta saber se o aparato fiscalizatório terá fôlego e tecnologia suficientes para converter o rigor do papel em eficácia real nas redes.