Google derruba rede que infectou 1,3 milhão de aparelhos
Operação global desarticula esquema chinês de TV boxes com vírus de fábrica que transformava equipamentos em rede de fraudes digitais.
- Publicado: 05/11/2026 14:33
- Alterado: 05/11/2026 14:33
- Autor: Thiago Antunes
O Google liderou uma operação com outras gigantes de tecnologia para desmantelar uma rede que controlava mais de 1,3 milhão de aparelhos. Os equipamentos saíam da linha de produção infectados com o programa malicioso XCPE. O alvo principal do esquema envolvia receptores de TV boxes com o sistema Android.
O Brasil figura como o segundo país com mais dispositivos afetados pelo crime cibernético. A Trend Micro, empresa de segurança digital, apontou que a rede criminosa atingiu equipamentos em 170 países, ficando atrás apenas da Malásia. Iraque, México e Taiwan completam a lista das nações com maior índice de contaminação.
A investigação apontou a Videostrong, fabricante com sede em Shenzhen, na China, como responsável por inserir intencionalmente o vírus nos sistemas. Os compradores não precisavam clicar em links suspeitos para acionar a ameaça. Segundo o Google, a empresa asiática lucrava vendendo o acesso remoto desses equipamentos para fraudadores simularem visualizações de anúncios e gerar receita.
Como o esquema burlou testes do Google
Acordos comerciais exigem que parceiros passem por rigorosas verificações de segurança para incluir serviços oficiais como o Android TV. A fabricante chinesa utilizou táticas avançadas de ocultação para esconder o código malicioso das auditorias em laboratório. O programa nocivo só entrava em ação após o consumidor ligar o aparelho pela primeira vez em casa.
A fraude ocorria de forma sistemática desde o final de 2024. “Um fabricante de dispositivos infectar intencionalmente seus usuários com malware é uma quebra inaceitável de confiança e representa um risco sério para esses usuários”, informou o Google em comunicado oficial.
A big tech encerrou todas as relações comerciais com a companhia asiática. A sanção imediata impede a Videostrong de produzir e vender novos aparelhos certificados. O processo de revisão de parceiros de hardware também sofreu alterações estruturais para evitar novas vulnerabilidades no mercado.
Ameaça à infraestrutura e posição da Anatel
A maior parte dos casos envolveu aparelhos domésticos de streaming. A operação também encontrou o código malicioso escondido em dispositivos de telemedicina, máquinas de karaokê e equipamentos de sinalização digital. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) alertou para os riscos da comercialização de produtos sem homologação.
“O impacto da utilização de equipamentos não homologados vai muito além das questões de qualidade do serviço fornecido ao consumidor ou da segurança física do aparelho. Trata-se de uma ameaça direta à infraestrutura cibernética do país”, afirmou Gesiléa Fonseca Teles, superintendente de fiscalização da agência.
A executiva reforçou que a proteção das redes exige vigilância constante e cooperação institucional. A ofensiva global de desarticulação não contou com a Anatel, mas mobilizou a Agência Nacional de Polícia do Japão e forças-tarefas de empresas de segurança cibernética em parceria com o Google.