Brasil registra 34 bilhões de tentativas de golpes digitais

Relatório revela que 16,5 milhões de brasileiros perderam dinheiro com fraudes cibernéticas. WhatsApp lidera os canais de ataque no país.

Brasil registra 34 bilhões de tentativas de golpes digitais

Crédito: Via IA

O Brasil enfrenta uma ameaça cibernética silenciosa e de alto impacto financeiro. Levantamento da Global Anti-Scam Alliance (GASA) revela que o país registrou 34 bilhões de tentativas de golpes digitais entre março de 2025 e fevereiro de 2026.

Os golpes digitais deixou 16,5 milhões de brasileiros com prejuízo de R$ 21,2 bilhões. O WhatsApp desponta como o principal canal utilizado pelas quadrilhas para enganar as vítimas e subtrair valores.

A guerra cibernética moderna dispensa apagões elétricos ou quedas simultâneas de sistemas bancários. Dados da Quod mostram que cerca de 40% das fraudes no primeiro semestre de 2026 envolveram engenharia social.

Nessa tática, o criminoso explora a confiança ou o medo para convencer o alvo a realizar transferências bancárias ou entregar senhas. “O impacto sai da tela e chega à vida real”, afirma Daniel Peres, executivo e especialista em cibersegurança.

Como os golpes digitais afetam infraestruturas críticas

Os prejuízos individuais se somam aos riscos sistêmicos que ameaçam serviços essenciais. Setores como energia, saúde e transporte operam de forma interconectada e dependem de múltiplos fornecedores e plataformas em nuvem.

Um ataque bem-sucedido contra essas redes gera um efeito cascata imediato. O comprometimento de um banco de dados vira rapidamente um problema operacional severo para a prestação de serviços à população.

“O risco digital deixa de ser apenas tecnológico. Dependendo do ambiente atingido, o problema pode chegar a serviços que fazem parte da rotina de milhares ou milhões de pessoas”, explica Peres.

Hospitais e dados sensíveis na mira

A sofisticação das abordagens atinge níveis críticos na área da saúde. A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) contabilizou 43 incidentes de segurança no setor até setembro de 2026.

Criminosos cruzam informações vazadas para construir narrativas extremamente realistas. Eles chegam a se passar por médicos para cobrar falsos exames e procedimentos de familiares de pacientes internados.

“O atacante não precisa necessariamente romper todas as barreiras técnicas de uma instituição se conseguir convencer alguém a abrir a porta”, ressalta o especialista.

A escalada das ameaças e táticas de defesa

O volume de investidas cresce em ritmo acelerado nas redes. A Serasa Experian identificou mais de 50,7 milhões de mensagens fraudulentas no primeiro semestre de 2026, média de 3,2 disparos por segundo.

O monitoramento do CERT.br, órgão mantido pelo NIC.br, comprova que o ecossistema do crime cibernético atua em múltiplas frentes. Os ataques englobam desde páginas falsas até dispositivos vulneráveis expostos na internet.

Para combater esse avanço diário, especialistas recomendam práticas essenciais de proteção individual e corporativa:

  • Desconfiar de mensagens com senso de urgência que solicitem transferências via Pix.
  • Ativar a verificação em duas etapas em todos os aplicativos de mensagens, e-mails e redes sociais.
  • Verificar rigorosamente a origem de links e evitar o preenchimento de cadastros em páginas suspeitas.
  • Monitorar alertas de vazamento de credenciais e realizar a troca de senhas periodicamente.

A conscientização da população forma a principal barreira contra novas ofensivas criminosas. “Educação digital não significa apenas saber utilizar tecnologia. Significa compreender riscos e proteger informações pessoais”, destaca Marco Giroto, fundador da SuperGeeks.

O avanço contínuo das ferramentas criminosas exige atenção diária da sociedade. Perceber a ameaça invisível nas telas do celular é o primeiro passo para frear os golpes digitais e proteger a estabilidade financeira da população.

Thiago Antunes

  • Publicado: 25/09/2026 09:29
  • Alterado: 25/09/2026 09:29
  • Autor: Thiago Antunes