Alckmin participa de missa em meio à polêmica eleitoral
Vice-presidente acompanha celebração de Nossa Senhora Aparecida ao lado de autoridades, após boato sobre a padroeira provocar disputa na campanha presidencial
- Publicado: 12/10/2026 11:10
- Alterado: 12/10/2026 11:10
- Autor: Edvaldo Barone
A celebração do Dia de Nossa Senhora Aparecida, nesta segunda-feira (12), reuniu representantes de diferentes partidos na Basílica do Santuário Nacional, no interior paulista, em meio às repercussões de uma controvérsia religiosa que chegou à campanha presidencial de 2026. Entre os participantes da missa solene estava o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), acompanhado da esposa, Lu Alckmin, e de integrantes do governo federal.
A cerimônia das 9h também contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), da deputada federal reeleita Tabata Amaral (PSB) e de João Campos (PSB), marido da parlamentar e candidato derrotado ao governo de Pernambuco. O secretário estadual Gilberto Kassab (PSD), que concorreu à Vice-Presidência na chapa de Ronaldo Caiado (PSD), também participou da celebração. A presença das autoridades foi registrada por veículos que acompanharam a programação religiosa.
A reunião de lideranças políticas ocorreu durante o feriado nacional dedicado à padroeira do Brasil, tradicionalmente marcado pela chegada de milhares de romeiros a Aparecida. Neste ano, a comemoração também acontece entre os dois turnos da eleição presidencial, após a circulação de informações falsas sobre uma suposta proposta de retirar de Nossa Senhora Aparecida o reconhecimento como padroeira nacional.
Polêmica religiosa chegou à campanha presidencial

A controvérsia ganhou força depois que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) declarou que, caso fosse eleito, pretendia editar um decreto de caráter religioso para afirmar que o Brasil pertence a Jesus Cristo. Sua campanha posteriormente classificou a iniciativa como simbólica.
Na sequência, publicações nas redes sociais passaram a atribuir ao candidato a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A informação era falsa. Uma apuração do Projeto Comprova identificou que as mensagens também faziam referência a uma proposta legislativa apresentada em 2007 e arquivada no ano seguinte, sem relação com uma iniciativa atual de Flávio Bolsonaro.
O episódio provocou disputas públicas e judiciais sobre a circulação desses conteúdos. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também passou a fazer parte da discussão depois que Flávio acusou pessoas ligadas à instituição de colaborar com adversários políticos na divulgação do boato, sem apresentar provas.
A CNBB negou ter produzido ou participado da disseminação das informações falsas e contestou a acusação dirigida à entidade. Posteriormente, o candidato reconheceu publicamente que a conferência havia negado envolvimento no episódio e reafirmou que não pretendia alterar o reconhecimento da padroeira.
Celebração reafirma devoção à padroeira do Brasil

Antes da missa solene, o irmão Alan Patrick reafirmou a condição de Nossa Senhora Aparecida como padroeira nacional, destacando a permanência desse reconhecimento na tradição religiosa brasileira. A declaração ocorreu durante a programação do Santuário, que recebe peregrinos de diferentes regiões do país ao longo do feriado.
A celebração também teve manifestações sobre convivência e respeito às diferenças. Em sua homilia, o arcebispo de Aparecida, dom Mário Antônio da Silva, defendeu que a fé cristã não seja utilizada para justificar hostilidade contra pessoas que pensam de maneira diferente. O religioso abordou ainda questões sociais, como fome, pobreza e violência.
A devoção a Nossa Senhora Aparecida remonta a 1717, quando a imagem foi encontrada por pescadores no rio Paraíba do Sul. O reconhecimento oficial da santa como padroeira do Brasil ocorreu em 1930, e o dia 12 de outubro tornou-se feriado nacional em 1980.
A participação de Alckmin e de outras autoridades ocorreu dentro da programação religiosa do Santuário Nacional. Não há, nas informações divulgadas sobre a missa, registro de que a presença conjunta tenha sido organizada como um ato político ou uma resposta coordenada à controvérsia eleitoral.