Fundação CASA promove oficina da boneca Abayomi em Guarulhos
Atividade de férias no CASA Guarulhos apresentou a história da boneca Abayomi e promoveu reflexões sobre ancestralidade, identidade e cultura afro-brasileira entre adolescentes.
- Publicado: 20/07/2026 14:12
- Alterado: 20/07/2026 14:12
- Autor: Thiago Antunes
- Fonte: Fundação CASA
Dez adolescentes da Fundação CASA em Guarulhos participaram de uma oficina cultural focada na história afro-brasileira na última terça-feira (14). Os jovens confeccionaram as tradicionais bonecas Abayomi durante o calendário de férias da unidade. A atividade prática resgatou o simbolismo do artesanato criado dentro dos navios negreiros.
Feita apenas de retalhos de tecido e nós de barbante, a peça dispensa o uso de cola ou costuras. O processo criativo serviu como base para os educadores debaterem a resistência histórica e a formação da identidade do povo negro no Brasil.
Educação antirracista na Fundação CASA
A psicóloga Luciana Costa de Oliveira e a assistente social Natália R. de Ávila conduziram os trabalhos com os internos. As profissionais organizaram uma roda de conversa direcionada antes da etapa de produção manual. “Os adolescentes apresentaram boa interação entre si, participaram ativamente das discussões e da atividade“, relataram as técnicas da Fundação CASA após a conclusão do projeto.
O termo Abayomi deriva do idioma iorubá e significa encontro precioso ou aquele que traz alegria. O brinquedo tradicional não possui traços faciais definidos justamente para representar a coletividade das etnias africanas e anular distinções.
Experiência prática e reflexão
A compreensão do contexto de sofrimento e afeto marcou os jovens atendidos. “Achei muito interessante a história de que ela era feita nos navios, mostrando o amor dos pais“, resumiu Fabrício, nome fictício de um dos adolescentes internados na Fundação CASA. O garoto destacou o esforço dos escravizados para tentar alegrar e distrair as crianças durante as viagens intercontinentais.
O projeto autônomo planejado pela equipe técnica local fortalece a autoestima e o pertencimento dos garotos. “Resgatar histórias como a da boneca Abayomi é uma forma de trabalhar identidade com nossos adolescentes“, pontuou o presidente da instituição, Acacio Miranda. A consolidação de um processo de aprendizagem plural e antirracista segue como eixo diário para a Fundação CASA.