FMABC amplia estudo sobre doenças e impactos ambientais na Amazônia
Nova etapa da pesquisa monitora áreas degradadas e investiga como mudanças na paisagem influenciam a transmissão de doenças por vetores
- Publicado: 24/07/2026 14:14
- Alterado: 24/07/2026 14:14
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: FMABC
O Centro Universitário FMABC deu início, em julho, a uma nova etapa de um projeto científico que investiga como as transformações ambientais na Amazônia podem influenciar a transmissão de doenças por vetores, como malária, doença de Chagas e leishmanioses. A iniciativa é conduzida pelo GeoLab, laboratório de geoprocessamento da instituição, em parceria com pesquisadores de diferentes áreas e instituições.
Nesta fase, o foco está no monitoramento contínuo das paisagens amazônicas e na avaliação do potencial de restauração de áreas degradadas com espécies nativas. O acompanhamento terá caráter longitudinal e deve se estender por vários anos, conforme a disponibilidade de financiamento e a manutenção das parcerias locais.
Segundo Gabriel Laporta, pesquisador do Centro Universitário FMABC e cofundador do projeto, o objetivo é compreender como as mudanças graduais no ambiente podem impactar a dinâmica dos vetores e, consequentemente, a ocorrência de doenças.
“Durante essa nova etapa, foi iniciado o acompanhamento longitudinal, voltado ao monitoramento das paisagens e à avaliação do potencial de restauração de áreas degradadas com espécies nativas amazônicas. Por envolver processos ecológicos e mudanças ambientais graduais, essa fase deverá se estender por vários anos, de acordo com a continuidade do financiamento e das parcerias locais”, explica Gabriel Laporta.
Tecnologia e trabalho de campo integram a pesquisa
O estudo reúne diferentes metodologias para analisar as relações entre ambiente e saúde pública. Entre elas estão o mapeamento aéreo com drones, análises da cobertura vegetal, modelagem espacial, coleta de insetos vetores e aplicação de questionários junto às comunidades rurais.
A nova fase utilizará como referência os levantamentos realizados em 2022, 2024 e 2026. As expedições incluem registros fotográficos por drones, mapas da cobertura da terra, dados entomológicos, observações de campo e informações obtidas nas propriedades rurais.
Com isso, os pesquisadores pretendem acompanhar alterações na vegetação, no entorno das residências e em outros elementos da paisagem para verificar possíveis impactos sobre a presença de vetores e a transmissão de doenças.
Estudos apontam relação entre desmatamento e doenças
Os levantamentos anteriores já resultaram em pesquisas científicas sobre a influência das alterações ambientais na saúde.
Um dos estudos identificou que o risco de transmissão da malária é maior em áreas com cobertura florestal intermediária, próxima de 50%, cenário frequentemente associado à fragmentação da floresta. Nessas regiões, foi registrada maior presença de mosquitos do gênero Nyssorhynchus e maiores índices de infecção nos vetores. A pesquisa também detectou infecções humanas assintomáticas, fator que pode contribuir para a continuidade da transmissão da doença.
Outro trabalho investigou a presença do protozoário Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, em triatomíneos encontrados em palmeiras. Os resultados mostraram maior probabilidade de infecção dos insetos em áreas mais desmatadas, além da influência da distância entre as palmeiras e as residências.
Os pesquisadores também analisam flebotomíneos, insetos responsáveis pela transmissão das leishmanioses, avaliando como a ocupação humana e as características da paisagem interferem na abundância desses vetores.
Monitoramento produzirá dados ao longo dos próximos anos
Os resultados da nova etapa serão divulgados gradualmente após cada campanha de campo. A expectativa é produzir mapas, relatórios técnicos, trabalhos acadêmicos e análises periódicas. Já uma avaliação mais ampla dos efeitos das mudanças ambientais e das ações de restauração dependerá da realização de vários ciclos de monitoramento.
Projeto também fortalece a formação de estudantes
Além da produção científica, a iniciativa tem como objetivo aproximar estudantes da prática de pesquisa em campo. Entre os participantes está Arthur Lindori, aluno do curso de Biomedicina da FMABC, que atua na aplicação de questionários, apoio às coletas e levantamentos realizados nas áreas pesquisadas.
Para Gabriel Laporta, a participação dos estudantes contribui para integrar a formação acadêmica às atividades desenvolvidas diretamente nas comunidades amazônicas, permitindo contato com todas as etapas do trabalho científico.
As expedições utilizam o veículo oficial do GeoLab para transportar equipes e equipamentos em áreas rurais de difícil acesso, fortalecendo a parceria entre o Centro Universitário FMABC, instituições de pesquisa, órgãos locais e comunidades da região.
Financiamento
O projeto recebe financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), por meio de projetos e bolsas de pesquisa, além do Instituto de Pesquisa Translacional em Doenças Infecciosas da Universidade da Carolina do Sul, nos Estados Unidos. A iniciativa reúne ações de ensino, pesquisa e extensão voltadas à compreensão dos impactos das mudanças ambientais sobre a saúde pública no Brasil.