FGV Arte abre mostra sobre povos originários da América
A exposição "Eu chorei rios" reúne obras de povos originários e discute território e identidade na FGV Arte
- Publicado: 29/06/2026 22:02
- Alterado: 29/06/2026 22:02
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
A FGV Arte inaugura na sede da Fundação Getulio Vargas, na Zona Sul carioca, a exposição “Eu chorei rios: arte dos povos originários da América”. Sob a curadoria dividida entre a artista indígena Glicéria Tupinambá e o crítico Paulo Herkenhoff, a mostra reúne pinturas, fotografias, esculturas, instalações, vídeos e artefatos históricos de criadores de diversas etnias da América Latina.
O projeto, que fica em cartaz até 20 de setembro de 2026, é o oitavo ciclo expositivo da instituição desde sua fundação em 2023. A proposta funciona como uma continuidade de “Adiar o fim do mundo”, mostra apresentada pela galeria em 2025 baseada no pensamento de Ailton Krenak, deslocando o debate ecológico e o conceito de Antropoceno para a resistência prática dos territórios nativos.
O protagonismo feminino e o “desejo de fala”

A curadoria de Glicéria Tupinambá propõe uma revisão epistemológica de acervos institucionais ao trazer para o centro o conceito de nhe’ẽ se (“desejo de fala”). A ideia é confrontar visões que historicamente silenciaram ou categorizaram as peças indígenas apenas como peças artesanais ou etnográficas, e não como arte contemporânea legítima.
O circuito expositivo dá forte destaque ao papel das mulheres nas cosmologias e na liderança artística das aldeias. Painéis, grafismos e tecelagens assinados por nomes como Daiara Tukano, Yaka Edilene Sales Huni Kuin, Lastenia Canayo e Rita Pinheiro Sales Kaxinawá dividem espaço com acervos históricos e obras de nomes consagrados, incluindo Claudia Andujar, Denilson Baniwa, Lygia Pape, Mestre Valentim e Djanira.
“A gente chega na arte com esse desejo de falar de um lugar que nunca foi ouvido. Os povos indígenas sempre fizeram arte, mas não tinham o direito de dizer o que aquilo era”, pontua Glicéria Tupinambá.
Intervenções urbanas e ativação do Manto Tupinambá
A mostra rompe as barreiras das salas internas e ocupa a esplanada e a fachada do edifício da Praia de Botafogo. O espaço externo recebe um jardim circular criado pelo artista Xadalu Tupã Jekupé e instalações tridimensionais de Jaider Esbell, concebidas para funcionar como um portal sensorial de acolhimento aos visitantes.
A própria Glicéria Tupinambá integra a lista de expositores ativando o Manto Tupinambá. Em vez de uma performance artística formal, a curadora propõe rituais de canto e dança com a vestimenta sagrada. O objetivo do movimento político e espiritual é retirar o artefato da condição passiva de vitrines museológicas e reinseri-lo como um corpo vivo conectado à terra.
Programa educativo gratuito
Focada na formação de público e na democratização cultural no Rio de Janeiro, a FGV Arte estruturou um amplo programa acadêmico paralelo. Ao longo dos meses de exibição, o espaço receberá visitas mediadas agendadas para mais de 100 escolas, estimando o atendimento pedagógico gratuito de cerca de 5 mil estudantes da rede pública de ensino.
Serviço
- Temporada: Em cartaz até 20 de setembro
- Horários: Terça a sexta, das 10h às 20h; sábados e domingos, das 10h às 18h
- Local: FGV Arte (Praia de Botafogo, 186 – Botafogo, Rio de Janeiro – RJ)
- Entrada: Gratuita | Classificação: Livre