Fenômeno El Niño deve trazer inverno com chuvas acima da média
Sob influência do El Niño, a nova estação começa neste domingo com previsão de temperaturas elevadas e frentes frias rápidas no país
- Publicado: 20/06/2026 12:24
- Alterado: 20/06/2026 12:24
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: FolhaPress
O inverno começa oficialmente às 5h24 deste domingo (21/06) sob a influência direta do fenômeno El Niño. A rápida elevação das temperaturas superficiais no Oceano Pacífico equatorial indica que a estação terá marcas de chuva e calor acima da média histórica em diversas regiões do país, alterando o padrão climático esperado para o período.
Impactos do El Niño na cidade de São Paulo
Na capital paulista, a média de precipitação esperada para a estação é de 130,5 mm, de acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) da Prefeitura. Embora o aquecimento global e o El Niño colaborem para um cenário de inverno menos severo, frentes frias pontuais ainda devem atingir o Estado.
O meteorologista do CGE, Michael Pantera, explica como o comportamento da atmosfera será afetado nos próximos meses.
“Não deve ser um inverno rigoroso. Tem a condição do El Niño agora, então devemos ter algumas ondas de frio intenso, mas não prolongado”, afirma Pantera.
Histórico de chuvas e médias de temperatura
Os dados consolidados do CGE apontam que o inverno mais chuvoso da cidade ocorreu em 2009, quando os termômetros registraram um acumulado de 352,2 mm. Em contrapartida, o período mais seco foi verificado em 2017, com apenas 61,6 mm.
Para os próximos meses, o órgão municipal estabeleceu as seguintes médias previstas de temperatura na capital:
- Junho: Mínima de 13,4°C e máxima de 23°C
- Julho: Mínima de 12,7°C e máxima de 23,1°C
- Agosto: Mínima de 13,4°C e máxima de 24,3°C
- Setembro: Mínima de 15,2°C e máxima de 26°C
Efeitos do fenômeno nas demais regiões do Brasil
De acordo com relatório oficial do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o impacto do El Niño será sentido com maior intensidade na transição para a primavera. “A intensidade maior do El Niño deve vir para mais em novembro, início da primavera. Mas a maior parte dos modelos numéricos segue indicando as temperaturas e chuvas acima da média”, ressalta o meteorologista Michael Pantera.
Durante o inverno, os maiores volumes de chuva vão se concentrar no noroeste da Região Norte, no leste do Nordeste e em parte da Região Sul. No restante do território nacional, a forte presença de massas de ar seco acende o alerta para riscos de queimadas e o aumento de doenças respiratórias devido à baixa umidade relativa do ar.
A atuação do El Niño altera a dinâmica atmosférica global, mas episódios locais de inversão térmica continuam comuns. O Inmet adverte para a formação de nevoeiros densos que podem reduzir a visibilidade em estradas e aeroportos do Centro-Oeste, Sudeste e Sul, além de geadas pontuais nas áreas serranas. O monitoramento constante do El Niño segue essencial para mitigar os impactos nos setores de transporte, saúde e agricultura.