Feito Pipa abre festival de cinema brasileiro em Los Angeles

Selecionado para representar o Brasil na disputa pelo Oscar 2027, filme de Allan Deberton abre festival em Los Angeles, que reúne longas, curtas e séries

Feito Pipa abre festival de cinema brasileiro em Los Angeles

Crédito: Feito Pipa (Divulgação)

O cinema brasileiro terá uma programação dedicada à diversidade de suas produções na 19ª edição do Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF), nos Estados Unidos. A seleção oficial de 2026 reúne longas-metragens, documentários, curtas, produções infantis e obras voltadas à representatividade, além de incorporar, pela primeira vez, episódios de uma série nacional. O filme escolhido para a abertura é Feito Pipa, dirigido por Allan Deberton e selecionado pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil na disputa por uma indicação ao Oscar 2027 de Melhor Filme Internacional.

Ambientado no interior do Ceará, Feito Pipa acompanha Gugu, um menino de 11 anos que vive com a avó e enfrenta a possibilidade de se mudar para a casa do pai quando a saúde dela se agrava. Protagonizado por Yuri Gomes e Teca Pereira, o longa também integrou a programação do 54º Festival de Cinema de Gramado, um dos principais eventos dedicados à produção audiovisual brasileira.

Feito Pipa vai representar o Brasil no Oscar 2027
Feito Pipa (Divulgação)

A escolha do filme para abrir o LABRFF coloca uma história sobre infância, vínculos familiares e transformações pessoais no centro da programação internacional. A indicação brasileira à disputa pelo Oscar não significa, porém, que o longa já esteja entre os finalistas da premiação. Para isso, ainda precisará passar pelas etapas de seleção da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

Além de Feito Pipa: Festival reúne produções que passaram por Gramado

Festival de Gramado - Kikito
(Divulgação)

A relação entre os festivais de Gramado e Los Angeles aparece em diferentes títulos selecionados para esta edição. Entre eles está Antártida, de Bruno Safadi, apresentado fora de competição na abertura do evento gaúcho. O elenco reúne Andrea Beltrão, Marina Ruy Barbosa, Leandra Leal, Antonio Calloni e Lázaro Ramos.

Também integra a seleção Pele de Rinoceronte, dirigido por Marcello Ludwig Maia e participante da mostra competitiva de longas brasileiros em Gramado. Entre os documentários, o LABRFF exibirá A Extraordinária Vida de Vera Valdez, de Fabio Meira, outra produção que passou pelo festival gaúcho.

A programação de longas inclui ainda Kasa Branca, de Luciano Vidigal; Quase Deserto, de José Eduardo Belmonte; O Rei da Internet, de Fabrício Bittar; A Última Noite, de Pedro Belchior e Jheniffer Emerick; e Eu Sou a Lei, de Miguel Rodrigues. A seleção reúne obras de diferentes regiões do país, com propostas narrativas que transitam entre o drama, o suspense e outros gêneros cinematográficos.

Diversidade e cinema infantil ganham espaço

A edição de 2026 também terá uma sessão específica voltada à diversidade, com a exibição de Amigos do Bairro, dirigido por Fernanda Schiavo. A produção apresenta uma narrativa centrada em uma criança com deficiência e integra a programação dedicada a personagens e experiências ainda pouco representados no audiovisual.

Para o público infantil, o festival selecionou Diários de Pillar, de Eduardo Vaisman e Rodrigo Van Der Put. A presença da obra amplia o alcance da programação para espectadores de diferentes faixas etárias e reforça a participação de produções destinadas às crianças.

Entre os documentários estão Gonzaguinha – Da Maior Liberdade, de Susanna Lira; Me Filma, de Victor Ribeiro; A Extraordinária Vida de Vera Valdez, de Fabio Meira; e Lendo o Mundo, dirigido por Catherine Murphy e Íris de Oliveira. As produções exploram personagens, trajetórias e temas ligados à cultura e à sociedade brasileira.

Série brasileira será exibida pela primeira vez

Uma das mudanças na programação do LABRFF 2026 será a inclusão de uma produção seriada. Pela primeira vez, o festival apresentará episódios de uma série brasileira em sua seleção oficial, ampliando o espaço tradicionalmente dedicado aos curtas e longas-metragens.

A produção escolhida é Ayô, de Yasmin Thayná. O público poderá assistir aos dois primeiros episódios da obra, que marca a entrada do formato seriado na programação do evento.

A presença de Ayô acompanha a diversificação dos formatos de produção e circulação do audiovisual brasileiro, em um período no qual séries e produções independentes também encontram espaço em festivais internacionais.

Curtas ampliam participação de realizadores brasileiros

Os curtas-metragens também ocupam parte significativa da seleção de 2026. Entre os trabalhos brasileiros anunciados estão Samba Infinito, de Leonardo Martinelli; Onde Eu Começo?, de Mayana Neiva; Encontro Marcado, de Bia Oliveira; Marcha Lenta em Rua Escura, de Joana Nin e Alana Rodrigues; e Teia, de Claudia Castro.

Outras produções selecionadas incluem Pão Doce, Terra Bruta, Vipuxuvuco, Pupá, Presépio, Eu, Leo, Habeas Pinho, Olhos Fechados, O Último Carnaval, Caso Isolado, Desertores, Aqueles Dois, Reverso, Do Nosso Jeito e Interview with Ghosts.

A programação internacional terá oito curtas, entre eles The Weight of Profit, de Fabio Casaletti; West Texas Home, de Gui Agustini; Wanna Talk, de Vitor Cardoso e Thales Corrêa; e The Voice of the Fires, de Luciana Brafman e Ricardo Carioba.

5 Tipos de Medo encerra a edição de 2026

5 Tipos de Medo
5 Tipos de Medo (Divulgação)

O encerramento do festival ficará por conta de 5 Tipos de Medo, dirigido por Bruno Bini. O filme integra uma seleção de 11 longas-metragens brasileiros, que reúne desde produções apresentadas em festivais nacionais até obras de diferentes realizadores e regiões do país.

Para a fundadora e diretora executiva do LABRFF, Meire Fernandes, a escolha de Feito Pipa para a abertura coincide com um momento importante da circulação internacional do longa. “Não existe uma única maneira de contar uma história brasileira”, afirmou, ao comentar a diversidade de produções reunidas nesta edição.

Com Feito Pipa na abertura e 5 Tipos de Medo no encerramento, o festival apresenta um panorama da produção nacional que inclui cinema de ficção, documentários, narrativas infantis, curtas e, pela primeira vez, uma série brasileira.

Edvaldo Barone

  • Publicado: 12/10/2026 13:15
  • Alterado: 12/10/2026 13:15
  • Autor: Edvaldo Barone