Exposições inéditas no Sesc abrem circuito gratuito

A capital paulista recebe mostras imersivas onde exposições inéditas no Sesc aproximam o público de trajetórias históricas da cultura popular neste mês.

Exposições inéditas no Sesc abrem circuito gratuito

Crédito: Obra “Sobre melanina, vitamina e maestria” de Zéh Palito - (Foto: Divulgação)

A produção artística nacional ganha novos palcos na capital paulista. Duas exposições inéditas no Sesc chegam às unidades Belenzinho e Pompeia neste mês de novembro, unindo a força do Carnaval carioca à arte contemporânea brasileira com acesso 100% gratuito. O projeto valoriza manifestações populares e revisita criações visuais consagradas pela crítica internacional.

A partir de 10 de novembro, o artista Zéh Palito ocupa as instalações da zona leste com a individual Do pranto o oceano, e nadamos no amor. A montagem utiliza intervenções em tons de rosa e estruturas infláveis para discutir afeto, ancestralidade e barreiras raciais. As obras dialogam com a rotina dos frequentadores e rompem o isolamento tradicional das galerias fechadas.

No dia seguinte, o Sesc Pompeia abre as portas para Rosa Magalhães: Esplendor Caleidoscópio. A mostra homenageia a carnavalesca, figurinista e cenógrafa falecida em 2024, revelando peças que vão além da Marquês de Sapucaí. São centenas de croquis, aquarelas e figurinos que detalham a genialidade de uma pesquisadora pioneira nas artes visuais.

Zéh Palito leva intervenções ao Sesc Belenzinho

Exposições inéditas no Sesc abrem circuito gratuito
Obra “Sobre melanina, vitamina e maestria” de Zéh Palito – (Foto: Divulgação)

Obras inéditas e esculturas de grande formato transformam a arquitetura da unidade em um território de convivência afetiva. Com curadoria assinada por Daniel Rangel, a mostra reúne 23 telas a óleo e instalações pensadas exclusivamente para a rotina paulistana:

  • Escultura construída sobre a carroceria de um automóvel no acesso principal;
  • Painel monumental com 12,5 metros de altura no vão central do edifício;
  • Cacho gigante de bananas inflável ancorado nas águas da piscina externa;
  • Dois murais executados ao vivo pelo artista plástico diante dos visitantes.

O núcleo familiar da mostra ganha força com a exibição de pinturas criadas em parceria com a mãe do artista, que bordou fuxicos em tecidos trazidos da África. A cor rosa impera nas telas como recurso estético para desconstruir tabus em torno da vulnerabilidade de corpos negros. Carros e piscinas surgem nas composições como alusões históricas à segregação racial e aos guias do Green Book.

A retrospectiva aprofunda o trabalho do pintor presente em acervos de peso, como Inhotim e o Baltimore Museum of Art. Ao consolidar essas narrativas visuais, o espaço reafirma a relevância dessas exposições inéditas no Sesc para a formação de novos públicos nas periferias urbanas. O público pode conferir as obras até 27 de junho de 2027.

Rosa Magalhães: Esplendor Caleidoscópio na Pompeia

Exposições inéditas no Sesc abrem circuito gratuito
Mulher com livros e bromélias: croqui de Rosa Magalhães para o desfile da Imperatriz Leopoldinense – (Foto: Divulgação)

A genialidade da maior campeã da era do Sambódromo ganha leitura analítica a partir de 11 de novembro. Sob a curadoria do carnavalesco Leonardo Bora, a exposição na Área de Convivência percorre o rigor acadêmico e as soluções estéticas de Rosa Magalhães, que revolucionou o desenho das escolas de samba com pesquisa histórica aprofundada.

O circuito cenográfico recria o ambiente de um barracão oficial para aproximar os visitantes da manufatura carnavalesca. Uma alegoria com mais de quatro metros de altura, desenvolvida por Nicolas Gonçalves, divide a sala com plumas, adereços e figurinos originais que podem ser vestidos pelo público:

“A pesquisa histórica, a literatura clássica e o diálogo direto com o imaginário popular definiram uma linguagem visual sem precedentes no país, quebrando a hegemonia masculina na concepção dos enredos.”

A mostra divide a produção de Rosa em cinco núcleos temáticos, evidenciando criações icônicas fora do Carnaval. Destacam-se os figurinos da peça Calabar: o Elogio da Traição, de Chico Buarque e Ruy Guerra, a cenografia do balé O Grande Circo Místico e os trajes da ópera Ça Ira, de Roger Waters. A temporada fica em cartaz até 7 de março de 2027.

Acesso e horários das mostras gratuitas

As unidades operam com horários estendidos para atender estudantes, pesquisadores e famílias durante a semana e aos sábados. No Belenzinho, a visitação funciona de terça a sábado, das 10h às 20h, e aos domingos e feriados, das 10h às 18h. Já na Pompeia, o atendimento ao público vai até as 21h nos dias úteis.

A iniciativa consolida a política de democratização da cultura na metrópole ao dispensar a cobrança de ingressos para atrações de nível internacional. Ao alinhar inovação contemporânea com memória histórica, as exposições inéditas no Sesc entregam uma oportunidade imperdível para vivenciar as raízes da criatividade brasileira sem custos.

Leonardo Nogueira

  • Publicado: 04/11/2026 15:38
  • Alterado: 04/11/2026 15:39
  • Autor: Leonardo Nogueira