Ex-pesquisador da OpenAI e Anthropic diz que empresas “brincam com vidas”
Ex-pesquisador de 27 anos diz que OpenAI e Anthropic aceleram desenvolvimento de IA sem considerar adequadamente os riscos para a sociedade.
- Publicado: 09/09/2026 12:55
- Alterado: 09/09/2026 12:55
- Autor: Thiago Antunes
A saída de Jacob Coxon da indústria de inteligência artificial veio acompanhada de fortes críticas à forma como as principais empresas do setor estão conduzindo o desenvolvimento de sistemas cada vez mais avançados. Aos 27 anos, o britânico deixou a área na terça-feira (8) e afirmou que companhias como OpenAI e Anthropic estão assumindo riscos que podem afetar toda a sociedade.
Coxon trabalhou na OpenAI e na Anthropic

Coxon passou os últimos três anos trabalhando com pré-treinamento, processo responsável por fornecer grandes volumes de dados aos modelos de inteligência artificial. Ele iniciou a carreira na OpenAI e, posteriormente, decidiu migrar para a Anthropic por acreditar que a empresa adotava uma postura mais cautelosa em relação à segurança da tecnologia.
A mudança de posição, no entanto, não durou muito. Em uma publicação na rede social X, o pesquisador afirmou que nenhuma das duas companhias estaria conduzindo o desenvolvimento da IA de maneira suficientemente responsável.
Segundo Coxon, as empresas estariam acelerando a criação de sistemas capazes de aprimorar suas próprias capacidades. Para ele, o avanço em direção a uma possível superinteligência artificial representa um risco que não deveria ser tratado apenas como uma disputa empresarial.
O pesquisador também afirmou que parte dos profissionais envolvidos no desenvolvimento dessas tecnologias considera real a possibilidade de sistemas de IA provocarem a morte de seres humanos até o final da década. Na avaliação dele, esse tipo de preocupação não seria apenas uma estratégia de marketing utilizada pelas empresas para chamar atenção.
Segurança da IA preocupa profissionais do setor
A avaliação de Coxon encontrou respaldo dentro da própria Anthropic. Evan Hubinger, diretor de segurança da companhia, respondeu à publicação do ex-pesquisador e reconheceu que a empresa trabalha com a possibilidade de a inteligência artificial representar uma ameaça à humanidade.
Em uma estimativa feita em caráter pessoal, Hubinger afirmou considerar superior a 10% a possibilidade de a IA matar seres humanos durante a próxima década.
O debate está relacionado ao chamado autoaperfeiçoamento recursivo. O conceito descreve um cenário no qual sistemas de inteligência artificial seriam capazes de contribuir para o desenvolvimento de versões mais avançadas de si mesmos, reduzindo progressivamente a necessidade de participação humana no processo.
Para Coxon, alcançar uma inteligência artificial superior às capacidades humanas sem mecanismos externos de controle seria incompatível com um desenvolvimento responsável. Na visão do pesquisador, seria necessária a participação de governos ou uma ação coordenada entre as empresas para reduzir o ritmo dessa corrida tecnológica.
Ele também criticou especificamente a situação da Anthropic. Segundo Coxon, os profissionais da companhia conhecem os riscos envolvidos, mas estariam submetidos à pressão competitiva para desenvolver a tecnologia antes dos concorrentes.
Empresas defendem cautela diante dos riscos

As declarações ocorrem em um período de mudanças nas políticas de segurança das empresas de IA. Em fevereiro, a Anthropic retirou de sua carta de segurança um compromisso que previa interromper o desenvolvimento de seus modelos caso não fosse possível controlar determinados riscos.
Meses depois, no fim de julho, mais de mil profissionais ligados ao setor pediram ao governo dos Estados Unidos que criasse mecanismos capazes de interromper ou limitar o avanço da tecnologia diante de possíveis riscos. Entre os signatários estava Dario Amodei, CEO da Anthropic.
A preocupação também apareceu dentro da OpenAI. No domingo, o diretor científico da empresa, Jakub Pachocki, afirmou que o cenário atual exige cautela e defendeu maior coordenação internacional.