Estudo da USP comprova eficácia de treino cerebral em idosos
Pesquisa da USP aponta que ginástica cerebral melhora a memória em até 45% e reduz sintomas de depressão
- Publicado: 18/07/2026 13:45
- Alterado: 18/07/2026 13:45
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
Frágil, incapaz, ranzinza e esquecido são estereótipos associados ao envelhecimento que ainda alimentam o etarismo na sociedade. No entanto, uma nova tendência focada em autonomia, bom humor e longevidade ativa começa a romper esses paradigmas. Uma prova científica de que é possível envelhecer com alta qualidade de vida vem de um estudo recente conduzido por pesquisadores da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP).
O trabalho comprovou a eficácia da estimulação cognitiva não farmacológica para melhorar funções do cérebro que costumam ser as mais afetadas com o passar dos anos.
A pesquisa foi publicada na prestigiosa revista científica internacional International Psychogeriatrics, veículo de reconhecimento global na área de saúde mental e envelhecimento. Os resultados do estudo clínico, realizado com 207 voluntários saudáveis de 65 a 80 anos acompanhados ao longo de dois anos, revelaram ganhos expressivos tanto no desempenho mental quanto no bem-estar psicológico dos participantes.
Os Resultados Comprovados do Treino Cerebral

Os idosos que integraram o grupo de estimulação cognitiva realizaram, ao longo de 18 meses, as atividades práticas do método Supera. O estudo foi conduzido no formato de ensaio clínico randomizado, controlado e cego — considerado o padrão-ouro de rigor metodológico na ciência de saúde.
Os principais achados apontaram impactos profundos na rotina dos participantes:
- Melhora da Memória: Registrou-se um aumento de até 45% no desempenho da memória em apenas um ano de treino, facilitando tarefas diárias como lembrar de nomes, compromissos e recados;
- Redução de Sintomas Depressivos: Houve uma redução média de 29% nos sintomas de depressão, doença que atinge cerca de 15% da população idosa brasileira, segundo dados do IBGE;
- Queda de Queixas Cognitivas: Os participantes relataram uma diminuição de 60% nas queixas e percepções de esquecimento no dia a dia, o que se traduz em mais segurança para realizar transações financeiras e tarefas complexas;
- Fluência Verbal e Sociabilidade: O treinamento em pequenos grupos estimulou a comunicação e a fluidez verbal, habilidades fundamentais para evitar o isolamento social dos idosos.
Eficácia Sem Intervenção de Medicamentos

Um dos pontos mais celebrados pelas equipes médicas e de gerontologia é o caráter preventivo e não farmacológico da abordagem.
“Os resultados são encorajadores, pois mostraram não só um desempenho cognitivo geral mais alto para quem treinou, em relação aos grupos de controle, mas também que é possível alcançar esses ganhos sem qualquer tipo de intervenção farmacológica. A estimulação cognitiva é um recurso comprovadamente eficaz para promover o envelhecimento ativo e saudável”, avalia a gerontóloga Thais Bento Lima-Silva, doutora em Neurologia pela USP e autora principal do estudo.
O método avaliado na pesquisa, idealizado pelo engenheiro formado pelo ITA Antônio Carlos Guarini Perpétuo, foi criado há duas décadas. Atualmente, a franquia de estimulação cognitiva conta com mais de 250 centros distribuídos por todo o território nacional.
Mais de 80% dos alunos que frequentam as salas de aula do método são idosos saudáveis que buscam, de forma preventiva, exercitar o cérebro através de desafios lúdicos antes de apresentarem qualquer sinal de demência ou declínio cognitivo acentuado.
O que é o Método de Estimulação?
As sessões práticas envolvem atividades multicomponentes que desafiam diferentes áreas do cérebro e tiram o órgão da zona de conforto. Os pilares do treinamento combinam:
- Uso do Ábaco: Exercícios práticos com o instrumento milenar de cálculo manual para desenvolver foco, atenção e velocidade de processamento;
- Jogos de Tabuleiro: Dinâmicas individuais e em pequenos grupos focadas em raciocínio lógico, tomada de decisões rápidas e habilidades socioemocionais;
- Neuróbicas: Exercícios que quebram a rotina cerebral diária, forçando o cérebro a criar caminhos e novas conexões neurais (neuroplasticidade).