Estudo da FMABC aponta peptídeo que melhora metabolismo
Conduzido pela FMABC e Proteimax, teste clínico com 56 voluntários aponta redução na resistência à insulina com uso de peptídeo inovador
- Publicado: 18/09/2026 09:48
- Alterado: 18/09/2026 09:48
- Autor: Daniela Ferreira
Um estudo clínico conduzido pelo Centro Universitário FMABC, em parceria com a empresa de biotecnologia Proteimax, revelou resultados promissores sobre a atuação do peptídeo PEP19. A substância atua no metabolismo do tecido adiposo, promovendo uma redistribuição favorável da gordura corporal.
A pesquisa foi publicada recentemente na revista científica internacional iScience. Ao todo, o ensaio avaliou 56 voluntários divididos em três grupos durante um acompanhamento contínuo de 90 dias.
Os participantes que receberam a maior dosagem da substância (10 mg) registraram uma queda significativa na gordura acumulada na região abdominal em comparação aos quadris e coxas. A medição utilizou o índice androide-ginoide (A/G), parâmetro padrão para avaliar o acúmulo de gordura corporal.

O dado que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a ocorrência dessa reestruturação sem a necessidade de perda expressiva de peso total ou de redução de massa magra. A mudança sinaliza que a atuação do peptídeo é focada na qualidade da distribuição metabólica.
Além disso, os exames clínicos apontaram melhorias expressivas no controle glicêmico e na sensibilidade do organismo à insulina. Houve redução na taxa de hemoglobina glicada (HbA1c), indicador que mede a média de açúcar no sangue ao longo dos meses.
Também foi registrada a queda no índice HOMA-IR, utilizado para mensurar a resistência à insulina. Os efeitos positivos na metabolização do açúcar no sangue começaram a ser notados a partir do 60º dia de acompanhamento nos voluntários.
A substância opera modulando o receptor canabinoide tipo 1 (CB1R), receptor ligado às vias de sinalização e sensibilidade insulínica do corpo. Durante os testes, o peptídeo demonstrou alto perfil de segurança, sem sinais de toxicidade ou efeitos adversos laboratoriais.
A pesquisa contou com cientistas das áreas de Análises Clínicas, Endocrinologia, Pediatria e Bioquímica da FMABC. A instituição e a biotech já preparam novos testes para ampliar o contingente de voluntários e estender o prazo de monitoramento.