Estrela apresenta plano de recuperação judicial em Minas
Estrela apresenta plano de recuperação judicial para reorganizar dívida de R$ 109 milhões, enquanto mantém operações
- Publicado: 21/08/2026 10:52
- Alterado: 21/08/2026 10:52
- Autor: Daniela Penatti
A fabricante de brinquedos Estrela protocolou na 1ª Vara Cível da Comarca de Três Pontas, em Minas Gerais, seu plano de recuperação judicial. O documento foi encaminhado ao Judiciário em 14 de agosto e prevê medidas para reorganizar um passivo de R$ 109.178.016,38.
A empresa já havia comunicado ao mercado, em maio deste ano, que enfrentava um processo de reestruturação financeira. Entre os fatores apontados estão as transformações nos hábitos de consumo das crianças, cada vez mais influenciados por plataformas digitais e jogos online, além do cenário de juros elevados e maior dificuldade de acesso ao crédito.
Clássicos marcaram gerações de brasileiros

Ao longo de sua trajetória, a fabricante criou produtos que se tornaram referências no mercado nacional. Entre eles está o Banco Imobiliário, lançado em 1944, além da boneca Suzi, criada como uma versão brasileira da americana Barbie.
Outro sucesso foi o jogo Detetive, que ganhou espaço entre crianças ao propor a investigação de um misterioso assassinato. A brincadeira era descobrir quem havia cometido o crime, qual arma tinha sido utilizada e em que local o caso ocorreu.
Também fizeram parte da história da marca as Fofoletes, pequenas bonecas comercializadas em caixas que lembravam embalagens de fósforos.
Recuperação judicial não interrompe atividades

Mesmo diante das dificuldades financeiras, a Estrela continua funcionando. O mecanismo de recuperação judicial tem justamente o objetivo de permitir que empresas em crise mantenham suas operações enquanto negociam a reorganização de débitos com seus credores, evitando, em determinadas situações, a falência.
A companhia, entretanto, deixou de divulgar balanços trimestrais desde março de 2025, em meio ao agravamento de sua situação financeira.
Empresa atravessa quase nove décadas

Fundada em 1937, a Estrela começou suas atividades como uma pequena fabricante de bonecas de pano e carrinhos de madeira. Com o passar das décadas, ampliou sua atuação e se consolidou como uma das empresas mais conhecidas da indústria brasileira de brinquedos.
A trajetória também inclui um marco no mercado financeiro: em 1944, a companhia esteve entre as primeiras empresas brasileiras a abrir seu capital.
Quase nove décadas depois de sua criação, a fabricante busca reorganizar suas finanças enquanto tenta preservar as operações e uma trajetória construída ao longo de diferentes gerações de consumidores.