Estado de São Paulo passa a contar com nova usina da USP 

Nova usina da USP transforma resíduos orgânicos em energia elétrica e biometano, fortalecendo a transição energética em São Paulo

Crédito: Reprodução

O Estado de São Paulo passou a contar, a partir desta terça-feira (30), com uma unidade industrial capaz de converter resíduos sólidos orgânicos em energia elétrica, biometano e biofertilizantes. A inauguração da usina da USP — localizada no Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE/USP) — teve a participação da secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado, Natália Resende.

Capacidade operacional e conceito de economia circular

A estrutura opera como uma planta laboratorial em escala industrial e comercial. O principal objetivo da usina da USP é materializar o conceito de economia circular por meio da integração direta entre os setores de saneamento básico, geração de energia e insumos para a agricultura.

Atualmente, o projeto possui capacidade técnica para processar até 25 toneladas de resíduos orgânicos por dia. A licença ambiental concedida para o complexo já prevê uma futura expansão operacional para atingir o tratamento de até 43,5 toneladas diárias de materiais descartados ao longo da cadeia alimentar.

Processo de biodigestão e indicadores de eficiência da usina da USP

O funcionamento da usina da USP é baseado no processo de biodigestão anaeróbica. Cada tonelada de resíduo processada resulta na produção de 120 a 180 Nm³ de biogás. Esse insumo pode ser convertido em eletricidade para abastecer o campus e o Sistema Interligado Nacional (SIN) ou ser refinado para a produção de combustível veicular renovável.

  • Potencial elétrico: Geração de 166 a 200 kWh de eletricidade por tonelada.
  • Geração de combustível: Produção de 90 a 117 m³ de biometano por tonelada.
  • Destinação do gás: Abastecimento de frotas movidas a Gás Natural Veicular (GNV) ou injeção direta em redes de distribuição.

“Em São Paulo temos uma das matrizes energéticas mais limpas do Brasil. Estamos chegando a uma matriz renovável de quase 60%, enquanto países da OCDE têm em torno de 13%. O biometano é parte importante dessa estratégia e todo o avanço que temos alcançado se dá por projetos como este, que estamos inaugurando hoje e que são exemplo para outras instituições”, afirmou a secretária Natália Resende durante o evento.

Fertilizantes e destinação sustentável de resíduos

Além dos ativos energéticos, cerca de 80% do volume total de material processado na usina da USP é convertido em digestato. O subproduto atua como biofertilizante de alta qualidade e já está integrado a pesquisas da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) para aplicação em lavouras de cana-de-açúcar, cultivos em horta e sistemas de hidroponia.

O diretor do IEE-USP, Tercio Ambrizzi, destacou o papel ecológico da nova instalação para a sociedade. “É um projeto que prova que podemos diminuir efetivamente as emissões, principalmente de metano, convertendo o resíduo em benefício para a sociedade”, apontou.

Investimentos e liderança do mercado paulista

A implementação da estrutura tecnológica exigiu um aporte financeiro de aproximadamente R$ 10 milhões, com recursos provenientes do orçamento da própria universidade e de programas de fomento de agências como FAPESP, CNPq e Aneel, além de parcerias com o setor privado.

O funcionamento da usina da USP consolida a liderança paulista na transição energética nacional. O estado de São Paulo abriga nove das 19 plantas de biometano ativas no Brasil. As projeções oficiais indicam que o território paulista pode atingir a marca de 1 milhão de metros cúbicos de biometano produzidos por dia até o encerramento do ano de 2026.

  • Publicado: 30/06/2026 16:52
  • Alterado: 30/06/2026 16:52
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: Semil/SP