Erika Hilton na Prefeitura de SP vira plano do PSOL
Dirigentes partidários tentam frear uma debandada em massa e colocam a candidatura de Erika Hilton na Prefeitura de SP como trunfo para acalmar a base aliada
- Publicado: 08/11/2026 18:26
- Alterado: 08/11/2026 18:30
- Autor: Leonardo Nogueira
O xadrez eleitoral de 2028 começou nos bastidores da esquerda paulistana. A cúpula nacional do PSOL articula o lançamento do nome de Erika Hilton na Prefeitura de SP para estancar uma crise interna profunda e evitar a migração em massa de suas maiores lideranças para o Partido dos Trabalhadores (PT). A estratégia tenta blindar a sigla contra o isolamento político da corrente Revolução Solidária, grupo liderado pela parlamentar e pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.
A articulação ganhou contornos de urgência após o fechamento das urnas de 2026. Consagrada como a terceira deputada federal mais votada do país com 1,5 milhão de votos, Erika admitiu publicamente o desejo de disputar o comando da maior metrópole brasileira e mantém em aberto a decisão sobre permanecer no partido ou assinar a ficha de filiação petista.
Essa manobra eleitoral busca recompor pontes dinamitadas em março, quando o grupo de Boulos e Erika saiu derrotado na tentativa de formalizar uma federação partidária com o PT. O revés abriu feridas na convivência com a corrente majoritária Primavera Socialista, tornando o convite à disputa executiva a principal moeda para garantir a permanência da deputada.
Erika Hilton na Prefeitura de SP barra racha partidário

A barreira jurídica complicou os planos dos parlamentares que planejavam desembarcar da legenda sem penalidades. A Justiça Eleitoral arredondou a média de votos do partido no Espírito Santo, garantindo o cumprimento formal da cláusula de barreira e exigindo carta oficial de anuência da executiva para que os deputados eleitos troquem de legenda sem perder o mandato por infidelidade partidária:
- A bancada dissidente conta com seis deputados federais e oito estaduais prontos para a desfiliação;
- Erika Hilton e Rick Azevedo puxaram sozinhos cinco cadeiras extras na Câmara com votações expressivas;
- Parlamentares de peso como Luciene Cavalcante, Natália Boulos e Pastor Henrique Vieira articulam saída conjunta;
- Na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), os campeões de voto Sofia Favero e Carlos Giannazi também integram a ala de saída.
A presidente nacional da sigla, Paula Coradi, confirmou a intenção de manter o diálogo aberto para preservar a pluralidade da bancada. A dirigente defende que as divergências precisam ser acomodadas para enfrentar o avanço de forças conservadoras:
“Num momento em que a extrema direita saiu com a força que saiu, nos interessa uma esquerda plural, que consiga ter as mais diversas diferenças de pensamento e diversidade.”
O comando partidário tenta fechar um acordo político que evite batalhas nos tribunais eleitorais em fevereiro de 2027, data prevista para a posse formal dos mandatos. A oferta da candidatura majoritária na capital paulista surge como o único freio capaz de impedir o esvaziamento do diretório municipal.
O peso da bancada e o futuro na capital
A perda desse grupo representaria um duro golpe na visibilidade e no acesso ao fundo eleitoral do partido. No Rio de Janeiro, nomes de alta densidade eleitoral como Renata Souza, Dani Monteiro e Yuri Moura também aguardam o desfecho das negociações para definir a permanência ou a saída rumo a novos projetos partidários.
A direção do partido aposta na força de atração dos grandes centros para reorganizar a militância. Ao transformar o projeto eleitoral de Erika Hilton na Prefeitura de SP no principal ativo da legenda para os próximos anos, os socialistas tentam preservar o poder de fogo de sua bancada e assegurar protagonismo na disputa municipal de 2028.