Entenda os encalhes de pseudorcas e jubartes no litoral de SP

Casos registrados em Praia Grande e Ilhabela levantam dúvidas sobre as causas das mortes de pseudorcas e a presença de grandes cetáceos no litoral paulista

Entenda os encalhes de pseudorcas e jubartes no litoral de SP

Crédito: Reprodução/Redes Sociais

A presença de grandes cetáceos no litoral de São Paulo voltou a chamar a atenção nas últimas semanas. Depois que uma baleia-jubarte de aproximadamente 10 metros e 20 toneladas foi encontrada morta em Praia Grande, uma pseudorca foi localizada durante o monitoramento embarcado do Programa de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), executado pelo Instituto Argonauta.

Os dois casos ocorreram em um curto intervalo e levantaram dúvidas sobre as causas da morte de grandes cetáceos e se existe relação entre os registros.

Segundo o Instituto Argonauta, no entanto, ocorrências próximas no tempo não significam necessariamente que exista um aumento incomum na mortalidade desses animais. Cada caso precisa ser investigado individualmente, principalmente por meio de necropsias e análises laboratoriais.

Pseudorca é encontrada morta em Ilhabela

Pseudorca é encontrada morta em Ilhabela - (Divulgação/Instituto Argonauta)
Pseudorca é encontrada morta em Ilhabela – (Divulgação/Instituto Argonauta)

A pseudorca foi localizada durante o monitoramento embarcado realizado pelo PMP-BS. O animal era uma fêmea de aproximadamente quatro metros de comprimento e apresentava um apetrecho de pesca enroscado no corpo.

Após o resgate, a carcaça foi rebocada até a Praia Grande, em São Sebastião, onde fica a Unidade de Estabilização do Instituto Argonauta. No local, foi iniciada a necropsia para investigar as possíveis causas da morte.

Também foram coletadas amostras biológicas que serão encaminhadas para laboratórios especializados. Os resultados podem ajudar a compreender a saúde da espécie e identificar fatores que tenham contribuído para o óbito.

O que são pseudorcas?

Apesar do nome, a pseudorca não é uma orca. A espécie, chamada cientificamente de Pseudorca crassidens, pertence à família dos golfinhos e pode chegar a cerca de seis metros de comprimento e pesar mais de uma tonelada.

As pseudorcas vivem em grupos sociais e se alimentam principalmente de peixes e lulas. São animais de distribuição cosmopolita, encontrados em águas tropicais e subtropicais, principalmente em regiões oceânicas profundas. No litoral brasileiro, os registros de pseudorcas são pouco frequentes. Por isso, cada ocorrência é considerada relevante para ampliar o conhecimento sobre a biologia, a distribuição e a conservação da espécie.

Baleia-jubarte foi encontrada morta em Praia Grande

Baleia-jubarte encalhada na Praia Grande há uma semana

Poucos dias antes do registro da pseudorca, uma baleia-jubarte de grande porte foi encontrada morta próxima à faixa de areia, na Praia do Caiçara, em Praia Grande, no dia 1º de agosto.

O animal tinha pelo menos 10 metros de comprimento e pesava aproximadamente 20 toneladas. A presença da carcaça atraiu dezenas de curiosos, que chegaram a registrar imagens e vídeos publicados nas redes sociais. Equipes da Prefeitura de Praia Grande e do Instituto Biopesca estiveram no local. A carcaça foi analisada, amostras foram recolhidas e o animal foi removido no mesmo dia.

De acordo com as informações levantadas, não foram identificados ferimentos visíveis ou marcas que indicassem possível enredamento em redes de pesca.

Por que as baleias-jubarte aparecem mais nesta época?

Diferentemente das pseudorcas, a presença das baleias-jubarte no litoral paulista nesta época está diretamente relacionada ao período migratório da espécie. Entre junho e novembro, milhares de jubartes deixam as águas frias próximas à Antártica e seguem em direção às águas mais quentes do litoral brasileiro, principalmente para áreas de reprodução na região de Abrolhos.

Durante o deslocamento, os animais passam pela costa de São Paulo, o que faz com que os avistamentos sejam mais frequentes no período.

No Atlântico Sul, a migração pode envolver uma viagem de aproximadamente 8 mil a 10 mil quilômetros em um percurso de ida e volta. No retorno, as fêmeas costumam estar acompanhadas de filhotes.

As causas de morte podem ser naturais ou estar relacionadas às atividades humanas. Entre os fatores naturais estão doenças, infecções, parasitoses, idade avançada, complicações reprodutivas e alterações fisiológicas.

  • Publicado: 10/08/2026 17:49
  • Alterado: 10/08/2026 17:49
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: ABCdoABC

Eventos

11/08 - 09h
São Paulo
Miró: Mestre das Formas
11/08 - 10h
São Paulo
Dopamine Land