75% das famílias de SP estão endividadas, aponta FecomercioSP

Pesquisa revela que 75,5% dos lares paulistanos possuem dívidas, cenário impulsionado pela alta renda com inadimplência sob controle.

75% das famílias de SP estão endividadas, aponta FecomercioSP

Crédito: Unsplash

O endividamento atingiu 75,5% das famílias da cidade de São Paulo em agosto de 2026. O índice registrado pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela FecomercioSP, representa o maior patamar desde novembro de 2022. O volume consolida a segunda alta consecutiva do indicador na capital e impacta 3,4 milhões de lares com alguma dívida ativa.

Apesar da curva ascendente, a capacidade de pagamento dos consumidores permanece estável. A inadimplência oscilou levemente para 20,4%, contra 20,2% no mês anterior. O cenário sugere um controle financeiro maior em comparação ao mesmo período do ano passado, quando o índice de contas atrasadas batia 22,7%.

Alta renda puxa o endividamento na capital

O avanço do endividamento refletiu o comportamento financeiro dos consumidores com maior poder aquisitivo. O levantamento aponta que o porcentual de endividados subiu para 67% entre lares com renda superior a dez salários mínimos. Curiosamente, a inadimplência nesse mesmo grupo recuou para 8,8%, evidenciando acesso a crédito sem perda da capacidade de quitação.

O movimento ocorreu de forma mais moderada entre a população que ganha até dez salários mínimos. Nesse estrato, a parcela de famílias com dívidas cresceu de 78,1% para 78,5%. O volume de contas não pagas sofreu leve alta e chegou a 24,9%, número ainda bastante inferior aos 27,1% observados no mesmo mês do calendário anterior.

Prazo de atrasos e comprometimento do orçamento

Os dados da entidade paulista mostram uma melhora no comportamento de regularização financeira. O tempo médio de atraso caiu para 64,1 dias, mantendo a trajetória de redução iniciada nos semestres anteriores. A proporção de dívidas vencidas há mais de 90 dias diminuiu para 49,3%, sinalizando renegociações de passivos antigos.

As finanças domésticas demonstram resiliência frente aos juros e preços do mercado. O comprometimento médio da renda ficou estabilizado em 26,2%, um nível considerado saudável e perfeitamente gerenciável. O patamar atual de endividamento, embora elevado em números absolutos, não asfixia o orçamento diário das famílias no curto prazo.

Cenário econômico exige atenção redobrada

A intenção de contrair novo crédito estacionou em 10,4%. Dentro dessa métrica, o uso de financiamentos para pagar dívidas recuou para 11,6%. A avaliação institucional reconhece o ambiente moldado pela inflação mais amena, mas alerta para o limite do orçamento doméstico. “Os números de agosto confirmam a trajetória de alta do endividamento na capital paulista, sem a correlativa piora na capacidade de pagamento”, destacou a equipe técnica da FecomercioSP.

O momento exige cautela diante das instabilidades políticas e econômicas. As famílias operam com margens financeiras estreitas e dependem da manutenção de seus postos de trabalho. Qualquer choque abrupto de inflação ou aumento do desemprego tende a romper o equilíbrio atual e transformar rapidamente o endividamento em uma crise generalizada de inadimplência.

Thiago Antunes

  • Publicado: 10/09/2026 11:15
  • Alterado: 10/09/2026 11:15
  • Autor: Thiago Antunes